Crítica de gastronomia revela sua identidade após 27 anos

Redação - O Estado de S.Paulo

Laura Reiley disse que o anonimato a impedia de produzir reportagens às quais agora passará a se dedicar

Jornalista revelou sua identidade para poder fazer novas reportagens

Jornalista revelou sua identidade para poder fazer novas reportagens Foto: Pixabay / @ifd_Photography

Existem profissões em que o anonimato pode ser importante. É o caso de críticos gastronômicos, que têm de se passar por clientes comuns para receber o mesmo serviço e experiência que eles.

Laura Reiley sabe muito bem disso. Crítica de restaurantes desde 1991, ela escreve para o Tampa Bay Times, jornal da Flórida, nos Estados Unidos, há dez anos. Após todo esse tempo, ela resolveu revelar sua identidade por meio de um texto nesta segunda-feira, 29.

“Espero que eu não tenha um espinafre nos meus dentes”, brincou Laura. Ela comentou que é muito difícil manter o anonimato na era digital e comentou que sites onde os próprios consumidores escrevem críticas sobre suas experiências em restaurantes têm mais peso do que críticos gastronômicos.

No entanto, ela explicou que o motivo para revelar sua identidade foi porque o anonimato a impossibilitava de se dedicar a algumas reportagens que ela tinha interesse.

“Eu derrubei meu disfarce com chefs e donos de restaurantes quando a história “valia a pena”, mas há histórias que são menos importantes e que eu não peguei para poder preservar meu anonimato”, contou Laura.

“O mundo está mudando e estou pensando em meu papel de forma mais ampla. Acredito que nunca teve uma época tão importante para se escrever sobre comida. Cada vez mais pessoas se preocupam com a origem do que comem, a cadeia produtiva se tornou infinitamente mais complexa e opaca e as instituições reguladoras se tornaram mais fracas”, disse.

Em 2017, Laura foi finalista do prêmio Pullitzer, maior premiação do jornalismo, ao investigar irregularidades na origem de alimentos em restaurantes e mercados.