Criança de 4 anos que migrou sozinha para a Itália reencontra a mãe

- O Estado de S.Paulo

Objetivo da mãe era proteger Oumoh da mutilação genital

Maria Volpe com Oumoh, na Itália

Maria Volpe com Oumoh, na Itália Foto: AFP

No dia 9 de novembro, a mãe de Oumoh decidiu deixar a filha com uma amiga em Túnis. O objetivo dela era evitar que a pequena, de apenas 4 anos, sofresse mutilação genital - prática comum na região. A mulher teve a oportunidade de embarcar para a Europa e levou a Oumoh. Quando a mãe voltou para buscar a filha, não a encontrou. 

A mãe pretendia ir junto, mas não conseguiu porque tinha assuntos pendentes na Costa do Marfim, seu país de origem. 

Na Itália, Oumoh ficou sob os cuidados de Maria Volpe, chefe do serviço de menores de idade da prefeitura de Agrigento, na Sicília, que levou a criança a um abrigo em Palermo. 

Recentemente, Nassade, de 8 anos, e sua mãe também conseguiram ir para a Itália. Quando chegaram ao país, uma policial deu seu celular para que a Nassade se distraísse com fotos de crianças. Entre elas, estava Oumoh, sua colega em um abrigo em Túnis. Assim, a mãe de Nassade passou o contato da mãe de Oumoh para a policial. 

Serviços diplomáticos de Roma e Túnis se mobilizaram para reunir a família e Oumoh. A ideia, agora que se reencontraram, é fazer um teste de DNA para provar o parentesco.

Maria Volpe, 56 anos, foi considerada pelo presidente italiano, Sergio Mattarella, como um dos 40 heróis comuns.