Criador de Mafalda diz que personagem não está contra o aborto na Argentina

- EFE

Imagem que circulou nas redes mostrava a personagem usando a bandeira dos grupos 'pró-vida' junto a uma frase atribuída falsamente a Quino

Mafalda foi envolvida em fake news sobre aborto na Argentina, mas Quino, seu criador, esclareceu. 

Mafalda foi envolvida em fake news sobre aborto na Argentina, mas Quino, seu criador, esclareceu.  Foto: Nilton Fukuda/ESTADÃO

O desenhista argentino Quino desmentiu, na última quinta-feira, 19, que se posicionou no debate sobre a legalização do aborto na Argentina, depois de supostas declarações dele junta a Mafalda, sua personagem mais conhecida, ter viralizado nas redes com um símbolo das associações "pró-vida".

Em um comunicado publicado em suas redes sociais e confirmado pela Efe, Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido Quino, o desenhista de 86 anos expressou que "está a favor do direito das mulheres".

"Informamos que Quino não se manifestou nem a favor nem contra da legalização do aborto. Somente, sempre e explicitamente, a favor do direito das mulheres", disse a mensagem.

Durante os últimos dias, circulou nas redes sociais do país uma imagem com uma fala atribuída a Quino, que indicava que "Mafalda sempre estará a favor da vida" e que sua cor era "celeste" e não o verde, em referência à bandeira da segunda cor, que é utilizada pelas pessoas que estão a favor da legalização do aborto. Uma Mafalda com uma bandeira celeste e o slogan "salvemos as duas vidas" completavam a imagem que viralizou.

O comunicado desmentiu a publicação e a declaração que apareceu junto a ela, ao assegurar que "todas as manifestações que foram atribuídas a Quino nas redes sociais não são próprias nem oficiais".

A Argentina vive, nos últimos meses, um debate que pode levar a descriminalização e legalização da interrupção voluntária da gravidez, que hoje é ilegal. No começo de junho, o projeto conquistou a aprovação da metade da Câmara dos Deputados em uma votação apertada e acompanhada por uma massiva presença de manifestantes a favor do aborto nas ruas.

O Senado argentino terá a última palavra em uma votação definitiva, que está prevista para o dia 8 de agosto.