Conhece uma pessoa que mente demais? Ela pode ter mitomania

- O Estado de S.Paulo

Transtorno se caracteriza por mentir compulsivamente

Transtorno pode afetar a vida pessoal e profissional de quem o tem

Transtorno pode afetar a vida pessoal e profissional de quem o tem Foto: Creative Commons/ Mikel Iturbe Urretxa

É comum ter um amigo que sempre inventa uma mentira, uma viagem que não fez ou uma história que nunca aconteceu. Isso pode ser muito mais grave do que parece: mitomania é um transtorno caracterizado pela compulsão de mentir e fazem isso de forma inconsciente.

De acordo com o psiquiatra Isaac Efraim, há dois possíveis motivos para que alguém recorra às mentiras em sua vida, um deles é o medo. "A pessoa mente porque tem medo de enfrentar a realidade, medo de perder outra pessoa, seu afeto", explica o médico. A outra razão possível é a ambição.

Daniel de Barros, também psiquiatra, complementa que o transtorno pode ser desencadeado por transtornos de personalidade, doenças neurológicas ou psiquiátricas, mas nem sempre está ligado a alguma doença. 

O que diferencia a mitomania de simples mentiras que alguém cria às vezes é a intensidade, a frequência. 

As consequências da mitomania na vida de uma pessoa podem ser muito sérias, como o fim de relacionamentos amorosos e até perda de emprego. "Como a pessoa perde o controle sobre as histórias fantasiosas que inventa, acaba se complicando nos relacionamentos pessoais e profissionais por não ter sustentação para suas mentiras", diz Daniel. 

Quando as pessoas descobrem a mentira, de acordo com Isaac, é comum que se afastem daquele que tem mitomania e, ao se sentir rejeitado, o quatro pode se agravar. 

O transtorno pode ser tratado, mas a maneira depende da gravidade do quadro do paciente. Daniel julga que, para controlar a mitomania, é preciso tratar as doenças psiquiátricas que a causam. 

Isaac, por sua vez, vê a terapia como fundamental para tratar a mitomania. Em alguns casos, também é indicado usar medicamentos. "Quando está em um nível muito compulsivo, o remédio ajuda, porque os antidepressivos reforçam a confiança", explica o psiquiatra.