Campanha com profissionais de RH retrata racismo institucional

- O Estado de S.Paulo

Negros ganham 36% a menos que brancos e sofrem com preconceito na contratação

  

   Foto: Reprodução/Facebook

Um homem branco podando as plantas é rapidamente identificado como alguém cuidando do jardim de sua casa. Já um homem negro, vestindo roupas quase idênticas e fazendo a mesma coisa, é visto como um jardineiro.

Acha que estamos exagerando? Então assista o vídeo abaixo:

O experimento, feito pelo governo do Estado do Paraná, está fazendo sucesso nas redes. A campanha reflete o racismo dentro das instituições: afrodescendentes são a maioria dos desempregados (60%) e ganham 36% a menos do  que os brancos.

Quando comparamos as mulheres negras aos homens brancos, então, os números são assustadores: em média, elas ganham 138% menos que eles, segundo dados levantados na campanha. 

Alguns internautas usaram o vídeo para provocar a consciência do próprio governo do Estado. "Agora falta aplicar isso no governo do Paraná. Quantos porcento dos funcionários das altas cadeiras desse governo são negros? Quantos secretários são negros? Não adianta só falar, tem que fazer!", escreveu um deles no Facebook.

A campanha vem em um momento de popularidade abalada do governo do Paraná. O governador Beto Richa (PSDB) foi bastante criticado no início deste mês após anunciar que voltará a dar subsídio do Estado para o transporte público da cidade. Parece loucura reclamar disso? Acontece que o anúncio foi feito um dia depois de seu aliado, Rafael Greca (PMN), vencer a eleição para prefeito na cidade. O governador havia criado o subsídio quando assumiu o cargo, em 2012, e deixou a prefeitura para seu então vice, Luciano Ducci. Mas, durante a gestão de seu adversário político Gustavo Fruet (PDT), Richa alegou que o Estado não poderia ser 'sobrecarregado' com a despesa.