Cafeteria em São Paulo cobra pelo tempo que o cliente fica no local e não pelo consumo

Hyndara Freitas - O Estado de S.Paulo

O recém-inaugurado Lemni se inspira no movimento 'anti-café', famoso na Rússia

No Lemni, o cliente paga de acordo com o tempo que ficou no local. 

No Lemni, o cliente paga de acordo com o tempo que ficou no local.  Foto: Hyndara Freitas

Ao chegar ao número 781 da Rua Simão Álvares, em Pinheiros, o visitante se depara com um estabelecimento cheio de graça desde a primeira vista. Uma lousa na entrada dá as boas vindas: "Vende-se tempo". Só por essa frase, já dá para perceber que este não é um café qualquer.

Inaugurado há menos de duas semanas, o Lemni se intitula um anti-café e, apesar de soar estranho em português, o nome é inspirado em cafeterias de Moscou, na Rússia, que não cobram pelo consumo e sim pelo tempo que o visitante passa no local.

Durante a estadia, é possível consumir cafés (coado, espresso e na prensa francesa são alguns dos tipos), chás, pães, biscoitos, bolos e água à vontade. Além disso, é possível levar a própria comida e esquentar no microondas do local - talheres, pratos, bandejas e guardanapos também são disponibilizados à vontade.

Funciona assim: o visitante chega, recebe uma comanda com seu nome e com o horário da chegada e, na hora de sair, ele apresenta a comanda e a atendente faz as contas de acordo com os minutos passados no local. Os primeiros 30 minutos custam R$ 12, e, a partir disso, a cada 15 minutos é cobrado mais R$ 3.

Basta ficar lá por alguns minutos para perceber que o público vai mesmo é para trabalhar: há grandes mesas retangulares equipadas com tomadas e luminárias, além de Wi-Fi gratuito. Também há mesas ao ar livre, perfeitas para quem quer levar um amigo de quatro patas.

O local tem mesas para trabalho na área interna e um espaço ao ar livre, repleto de vasos de flores e plantas. 

O local tem mesas para trabalho na área interna e um espaço ao ar livre, repleto de vasos de flores e plantas.  Foto: Hyndara Freitas

O cuidado com a decoração é visível em cada detalhe. Na parte exterior, caixas de feira presas na parede funcionam como suporte aos vários vasos de plantas, que dividem espaço com mesas redondas com cadeiras coloridas. Ao passar uma porta de vidro, o pequeno espaço ganha tijolos brancos por todas as paredes, mesas de diferentes cores e formatos e prateleiras com toques de cor - e mais vasos de flores. Ao fundo, um balcão para pedir cafés e conversar com as criadoras - incrivelmente simpáticas.

Como toda novidade, o modelo de negócios do Lemni pode causar estranhamento na maioria. Será que os 'anti-cafés' vão fazer sucesso por aqui? Justamente por ser uma das primeiras cafeterias do tipo em terras brasileiras, não há como responder. De qualquer forma, é uma nova forma de explorar o comércio local e uma experiência (ainda) única na cidade.