Brasileiros ainda questionam homens que ficam em casa para cuidar dos filhos, diz pesquisa

Redação - O Estado de S.Paulo

Levantamento da Ipsos mostra a percepção sobre o tema em 27 países do mundo

Brasileiros ainda questionam homens que decidem ficar em casa para cuidar dos filhos, revela pesquisa Ipsos.

Brasileiros ainda questionam homens que decidem ficar em casa para cuidar dos filhos, revela pesquisa Ipsos. Foto: Pixabay

Sul coreanos, indianos e brasileiros são os que mais acreditam na frase: um homem que fica em casa para cuidar de seus filhos é ‘menos homem’. Isso é o que revela uma pesquisa realizada pela Ipsos, em parceria com o Instituto Global para a Liderança Feminina do King’s College London. Os países do mundo que mais discordam da frase são Sérvia, Holanda e Colômbia. 

O levantamento mediu a percepção da população de 27 países do mundo, com 18.800 entrevistados. No Brasil, mil pessoas foram ouvidas. O estudo revela que a paternidade ativa ainda enfrenta muito preconceito e está longe de diminuir a diferença entre homens e mulheres nas atividades que envolvem o cuidado das famílias.

De acordo com a pesquisa, um quarto dos brasileiros entrevistados (26%) acredita que “um homem que fica em casa para cuidar dos filhos é ‘menos homem’” e a opinião se destaca entre pessoas que exercem cargos de decisão, liderança ou executivos seniors (30%).

“Não dá para fechar os olhos e achar que isso reflete que estamos em uma época distinta do passado não distante, onde o papel do homem está atrelado ao mantenedor do lar”, afirma Rafael Lindemeyer, diretor de Clientes na Ipsos.

Ao mesmo tempo, sobre o equilíbrio da vida profissional do homem para que ele ajude a cuidar dos filhos, 59% dos entrevistados brasileiros concordam que as empresas deveriam promover incentivos. 

O levantamento também identificou que a área em que as pessoas mais acreditam que não está sendo feito o suficiente para alcançar direitos iguais entre homens e mulheres é o cuidado das crianças e do lar. “A pesquisa propõe a reflexão sobre os direitos de homens e mulheres, para que o homem exerça um papel mais ativo no lar e com os filhos, permitindo que as mulheres atinjam os seus direitos. O caminho a percorrer ainda é longo, mas está na hora de homens lutarem pelo direito das mulheres. É ótimo entender que ter direitos e deveres no lar e na partilha da paternidade e maternidade é um benefício para todos”, conclui Lilndemeyer, da Ipsos.

O estudo foi realizado entre os dias 21 de dezembro de 2019 e 4 de janeiro deste ano. A margem de erro é de 3,1 pontos porcentuais.  

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