Banda de metal foge do Irã alegando condenação por músicas ‘satanistas’

João Pedro Malar* - O Estado de S.Paulo

Integrantes da Arsames questionaram a sentença de 15 anos de prisão em um vídeo publicado no YouTube

Os integrantes da banda de death metal Arsames, que fugirão do Irã

Os integrantes da banda de death metal Arsames, que fugirão do Irã Foto: Instagram / @arsames_official

A banda iraniana de death metal Arsames informou na quarta-feira, 12, que fugiu do Irã após seus integrantes terem sido condenados a 15 anos de prisão por cantarem músicas “satanistas”. Um vídeo publicado no canal no YouTube da banda no dia 9 de agosto criticou a decisão jurídica.

A fuga foi revelada pelo site Loudwire, que recebeu um comunicado enviado pela Arsames, formada em 2002. “Nossa música é sobre nossa cultura passada, história… eles pensam que quando gritamos e tocamos música rápido nós estamos fazendo satanismo!”, diz a banda.

Os músicos também disseram que foram presos em 2017 enquanto ensaiavam em um estúdio, tendo sido soltos um mês depois, após pagar fiança, e ainda passariam por um julgamento. Eles teriam sido informados de que deveriam parar de trabalhar, vender produtos ou falar com a mídia até a sentença. O grupo fez uma pausa durante um ano, mas retomou as atividades.

“Nós tivemos que escapar do Irã”, disseram os integrantes da banda, cujos paradeiros ainda não foram informados. No YouTube, a sentença foi questionada: “nós tocarmos metal é um crime? É um crime nós falarmos sobre a história persa? É um crime pensarem que nós praticamos satanismo quando temos músicas sobre Ciro, o Grande e monoteísmo?”. A pergunta se refere ao rei Ciro II, que governou a região da Pérsia (atual Irã) entre 559 e 530 a.C.

A condenação da Arsames não é o primeiro caso de uma banda de death metal sentenciada à prisão por violação de leis contra a blasfêmia no Irã. Em 2019, os membros da banda Confess foram condenados a um total de 14 anos e meio de prisão, mas os integrantes já tinham fugido do país em 2015 após terem sido presos e soltos. 

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais