'Afeto e boa vontade não bastam para uma família adotar um animal', diz veterinário

Caio Nascimento* - O Estado de S.Paulo

Para especialista, rejeição de pets ainda esbarra em deficiências físicas, cor do pelo e idade avançada

Vínculo de amizade entre animais domésticos e família está relacionado com cuidados de saúde e planejamento.

Vínculo de amizade entre animais domésticos e família está relacionado com cuidados de saúde e planejamento. Foto: instagram.com/mommasgonecity/

Acolher um pet envolve carinho e atenção, mas também muita responsabilidade para não errar na escolha. Neste dia do amigo, 20 de julho, o veterinário e fundador da rede Animal Place, Jorge Morais, explica que o processo de adoção é um ponto central na construção de uma amizade entre o animal e o tutor. "Se a relação não der certo, é porque o ato não foi bem conduzido.  Tudo depende da escolha da raça, do tamanho, do espaço físico que ele terá e das condições econômicas da família para prover uma vida digna ao novo membro", afirma.

De acordo com o veterinário, cabe ao responsável pela entrega do pet vacinar, castrar e passar ao futuro dono o perfil comportamental do animal com o qual ele vai lidar. "O afeto do interessado não basta. O bom doador faz um questionário prévio e percebe quando a pessoa não tem estrutura para cuidar. Qualquer empecilho já é motivo para que não haja doação", aponta. 

O amor incondicional entre os humanos e as demais espécies é repleto de histórias. Veja na galeria abaixo.

 

Reprodução/Facebook
Ver Galeria 21

21 imagens

Assim, o especialista orienta que os interessados em adotar procurem ONGs que trabalhem com o resgate de animais. "Organizações como a Amparar e o Instituto Meio Ambiente e Proteção Animal (Mapaa) realizam um trabalho íntegro e dão toda a assistência para uma adoção segura e responsável", aponta.

Com quase 30 anos de experiência no ramo, Morais expõe que os pets idosos, deficientes e os de pelagem pretas são os mais rejeitados. "As famílias preferem filhotes branquinhos, pequenos e de olhos claros. A discriminação é como a de crianças nos orfanatos, não há diferença", destaca.

No entanto, o veterinário explica que os animais domésticos de idade avançada costumam ser mais gratos, tranquilos e têm um comportamento melhor pelos hábitos que construíram ao longo da vida. Quanto aos com deficiência, ele diz: "é possível ter um amor incondicional e construir uma amizade com qualquer pet, independentemente das condições físicas dele. Não há desvantagem, o que existe é o preconceito", conclui.

A relação entre os bichos também envolve muito carinho e parceria. Confira aqui.

 

Josh Dorazio/Stock Snap
Ver Galeria 8

8 imagens

*Estagiário sob a supervisão de Charlise Morais