5 lugares que todos os candidatos à Prefeitura de São Paulo deveriam visitar

- O Estado de S.Paulo

Bairros e distritos com grandes problemas são deixados de lado até em época de campanha

Cidade Tiradentes tem a menor expectativa de vida de São Paulo

Cidade Tiradentes tem a menor expectativa de vida de São Paulo Foto: JONNE RORIZ/AE

A poucos dias da eleição, é de se esperar que os candidatos à Prefeitura de São Paulo estejam beijando muitos bebês e comendo muitos pastéis por aí. Apesar de tentarem construir uma boa imagem na periferia, alguns locais com grandes problemas - como o distrito com menor expectativa de vida ou o que tem o maior número de homicídios - passam pela agenda de poucos candidatos.

São Paulo tem mais de 93 distritos, e é claro que não daria tempo de visitar todos eles. Por isso, o E+ separou cinco locais com problemas graves na cidade e que não foram visitados por todos os candidatos à Prefeitura.

Confira:

Cidade Tiradentes

Quando a expectativa de vida da população não chega nem aos 55 anos, é fácil saber que alguma coisa não vai bem. É assim em Cidade Tiradentes, segundo um estudo apresentado pela rede Nossa São Paulo. Isso coloca o distrito da Zona Leste na última colocação, contrastando bastante com o primeiro lugar: Alto de Pinheiros, onde a população vive quase 80 anos, em média. Os mais de 210 mil habitantes de Cidade Tiradentes precisam percorrer 35 quilômetros para chegar ao centro da capital, geralmente de ônibus. Pelo jeito nem todos os candidatos acharam que valeria a pena rodar tanto assim para conversar com a população.

 

Jardim Paulistano (Zona Norte)

Com nome de bairro chique e sobrenome humilde, não deve ser confundido com o xará da Zona Oeste, onde um dos candidatos tem um apartamento de quase R$ 2 milhões. O Jardim Paulistano que precisa de atenção urgente dos políticos fica na Zona Norte. Acha que a Nossa Sra. do Ó é longe? Siga por mais sete quilômetros e você vai chegar ao bairro que até no Google Maps precisa do carimbo: Jardim Paulistano (Zona Norte). Não Oeste. Norte! A área da Rua Regina Garba, por exemplo, sofre com deslizamentos, quedas de árvores, esgoto a céu aberto e alagamentos de um córrego poluído. A Blitz Rádio Estadão informa que há estimativas de que aproximadamente 300 famílias ocupem o lugar com barracos e casas de alvenaria.

 

Marsilac

Se o Jardim Paulistano não é longe o suficiente, vamos descer 70 quilômetros, sem sair de São Paulo, e chegar ao distrito com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade (0,701). Só para ter uma ideia: Moema, que tem o IDH mais alto, marca 0,961 - o índice vai de 0 a 1. Além de tudo, Marsilac pertence a uma das subprefeituras mais violentas, a de Parelheiros. O distrito fica na Zona Sul, a mais de 50 quilômetros da Sé.

Um reino muito, muito distante

Um reino muito, muito distante Foto: Reprodução/DreamWorks Pictures

 

Capão Redondo

O bairro com o maior número de homicídios atualmente em São Paulo fica na Zona Sul. O Capão Redondo está, ainda, no “top 10” das categorias ‘roubos’, ‘lesões corporais’, ‘estupros’, ‘latrocínios’ e ‘tráfico de drogas’, segundo o mapa da criminalidade bairro a bairro do Estadão. Quase 270 mil pessoas moram lá e percorrem 16 quilômetros quando querem chegar ao centro da capital.

Cidade A. E. Carvalho

Os moradores do bairro da Zona Leste, coladinho no Itaquera, alegaram à Blitz Rádio Estadão que o esgoto da região não é tratado. Eles pagam normalmente pelo esgoto, mas afirmam que tudo é lançado em um esgoto que ocupa parte de uma área invadida. O pior é que isso fica perto de uma escola - a  Estadual COHAB – Águia de Haia I. A Sabesp afirma que a região tem, sim, rede coletora de esgoto. De qualquer forma, valeria uma visitinha dos candidatos para conferir a situação.