#30diassemracismo: Página no Facebook aponta atos de racismo comuns no dia a dia

Anita Efraim - Especial para O Estado de S. Paulo

Expressões corriqueiras como 'trabalho de preto' são ofensivas e preconceituosas

A ideia de fazer 30 dias é baseada em pesquisas que indicam que são necessários 21 dias de uma prática para que ela se torne um hábito

A ideia de fazer 30 dias é baseada em pesquisas que indicam que são necessários 21 dias de uma prática para que ela se torne um hábito Foto: Pixabay

Às vésperas do Dia da Consciência Negra, um grupo de pessoas criou a página '30 dias sem racismo' no Facebook. A cada dia, eles postam um ato de racismo que acaba passando batido no dia a dia de quem não sofrem esse tipo de discriminação. 

Anna Carolina Venturini, da Pluraliza, é uma das criadora do projeto e explica que a proposta é ampliar a reflexão sobre o racismo para que ele seja desconstruído. "Muitas vezes utilizamos frases e expressões corriqueiras que são discriminatórias e causam um dano às pessoas negras. Rever nossas falas e comportamentos é um primeiro passo para tomarmos consciência da sutileza do racismo e da necessidade de tratar as pessoas com mais respeito e empatia", diz. 

A ideia de fazer 30 dias é baseada em pesquisas que indicam que são necessários 21 dias de uma prática para que ela se torne um hábito. A iniciativa foi da Pluraliza e da Think Twice Brasil, que encontraram em contato com coletivos negros. Agora, Vaz Arte Aplicada, as páginas 'Preta e Acadêmica', 'Que Nega é Essa?' e o Coletivo Rusha Montsho também fazem parte da campanha. 

É comum que as pessoas não reparem, mas expressões corriqueiras como "trabalho de preto", "inveja branca", entre outras, têm conotações racistas. 

Para os criadores da página, o Dia da Consciência Negra é um momento importante para repensarmos o racismo. "Acreditamos que essa data é importante para refletirmos sobre a discriminação racial na nossa sociedade e seu papel na manutenção das desigualdades sociais, bem como para pensarmos diariamente em formas de desconstruir o racismo e tentar tornar a nossa sociedade mais igualitária e tolerante às diferenças", opina.