Universo superpop

Marisa Vieira da Costa - O Estado de S.Paulo

Designer gráfico e estilista decoram apartamento com objetos singulares comprados em brechó ou trazidos de viagens

Alinha que separa o kitsch do descolado e do divertido é sutil. Uma torradeira com estampa de oncinha, um tapete de pele fake com cabeça de urso ou uma banqueta cujo suporte é um anãozinho podem ser lidos das três maneiras, dependendo de quem lê e de quem possui os objetos. No caso do casal Tom e Fernanda Lo Bianco, ele designer gráfico e ela estilista, valem os três adjetivos para os móveis e as dezenas de objetos que eles têm espalhados pelo apartamento onde moram com os dois filhos, em Perdizes.

 

Jovens, ambos funcionários da gestora de marcas The Brands Company, Tom e Fernanda têm muito mais em comum que o gosto pelo décor pop. Por força do trabalho ou das férias, são viajantes inveterados. Pelo menos duas ou três vezes por ano vão para Europa, para a Ásia, para os Estados Unidos ou a África e lá se abastecem das coisas que distribuem pela casa. "Meu sonho era levar a vida como aquele

 

casal, a Melanie e o Albin, do programa ‘Mil Lugares para Conhecer antes de Morrer’, do canal Travel&Living", brinca Fernanda.

 

Essas andanças pelo mundo e as referências que foram acumulando ao longo da vida determinaram o jeito de ser do casal e, em consequência, do lugar onde moram. "Aqui é um mix do nosso universo", afirma Tom. "Nosso trabalho é voltado para o público jovem. Gostamos de pop, de toy art, do lúdico, do estilo dos anos 50 e 60, de prancha de surfe, skate, rock e urban wear. Nossa casa não poderia estar dissociada disso tudo."

 

Até dois anos atrás, Tom e Fernanda moravam em uma casa no Brooklin, mas o sonho era encontrar um apartamento antigo, como esse que acharam na Cardoso de Almeida. "Não mexemos muito. Em vez de quatro quartos, agora temos três e mais um closet", diz a estilista. Mas as paredes mudaram – e como! A que toma toda a extensão da ampla sala, por exemplo, ganhou papel com grafismo em tons de marrom e amarelo desenhado por Tom. A parede oposta, onde está apoiada a TV, é preta e faz contraste com o sofá forrado de veludo cotelê verde-esmeralda comprado no antiquário da loja A Mulher do Padre.

 

Coelho e anão

 

Fernanda admite que nem todo mundo teria coragem, como ela e o marido, de pendurar uma cabeça de alce na parede próxima à cozinha ou colocar um coelho de porcelana no centro da mesa de jantar laqueada de amarelo. O coelho, aliás, leva a assinatura do designer japonês Momoyo Torimitsu e o banco em forma de anão, citado no início da reportagem, tem autoria do francês Philippe Starck e foi comprado na Kartell de Paris.

 

Coisas de grife e de lojas conceituais se multiplicam pelo apartamento, como o cachorro e a bombonnière de Yoshitomo Nara, artista pop japonês; a torradeira de oncinha comprada no L’Univers de Léo, de Paris; o escorredor de pratos verde e laranja e o funil Pinocchio, ambos da marca italiana Alessi. A diversidade é tamanha que os muffins de crochê vindos da londrina Liberty e os puxadores de armário em forma de cabeça de cachorro e de urso, trazidos de Antuérpia, na Bélgica, dividem espaço com almofadas compradas na 25 de Março e uma caveira de aula de ciências.

 

A arte dos moradores também se traduz no apartamento. São de Tom as flores de cerejeira pintadas no quarto da filha e, de Fernanda, o desenho do lustre, a cortina de seda e painel de fotos, que conta a história da família. Ela também desenhou a cabeceira preta da cama do casal, enquanto ele criou os desenhos de onda no armário do quarto todo azul do bebê.

 

Cidadãos do mundo, eles agora planejam para a julho a próxima viagem, de onde certamente trarão mais coisas. "Em julho vamos todos para a Turquia e a Croácia", diz Fernanda, que no ano passado, grávida de cinco meses, atravessou o deserto do Saara de camelo. "Meu objetivo é conhecer o mundo todo, de ponta a ponta", confessa ela.