Uma casa de romance

Roberto Abolafio Jr. - O Estado de S.Paulo

A arquiteta Cinthia Liberatori escolheu a dedo cada detalhe na reforma da casa onde morou a dramaturga Ivani Ribeiro

Faz aproximadamente quatro anos que a família da arquiteta Cinthia Liberatori mora na casa de 350 m² no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Antes de eles se mudarem, o imóvel, dos anos 40, passou por uma reforma. "Não mexi muito nas divisórias, mas deixei só a estrutura essencial", conta ela. Dos azulejos aos rodapés, das portas às janelas, dos armários embutidos à louça sanitária, tudo foi substituído para dar um toque pessoal à construção que já pertenceu à novelista Ivani Ribeiro. "Era o momento certo de investir nesse tipo de obra, para depois não ter arrependimento", diz ela. Além do sonho de morar em uma casa, a vinda do segundo filho foi decisiva para ela e o marido deixarem o apartamento de 80 m² em que viviam, até então, com o pequeno Felipe, em São Paulo. "Lá não tinha um quarto só para o bebê", lembra. Durante a gravidez, também se fez a gestação do novo teto: o casal estava aberto a diferentes estilos até para facilitar o negócio do imóvel. "Muitas vezes a casa que se procura simplesmente não existe", pondera Cinthia. "Queria uma arquitetura com caráter bem definido e que a construção não ocupasse todo o terreno." Acabou escolhendo o imóvel de contornos clássicos, e está feliz com o resultado, que respeita o projeto original.Entre as principais modificações na área interna do piso térreo, Cinthia incorporou o antigo átrio, conseguindo assim dar forma ao hall de entrada, e construiu uma lareira. Também derrubou parte de duas paredes para integrar e dar amplitude à área social, formada pelo estar, pela sala de jantar e por outra saleta, onde fica o bar. "Como essas divisórias eram fundamentais para suportar o piso superior, empreguei ali vigas metálicas", conta.No segundo andar, a principal transformação foi a redistribuição das áreas dos banheiros, que ganharam piso de pastilhas de vidro da Vidrotil (a partir de R$ 205 o m²). Nos dois níveis, a arquiteta trocou as antigas janelas horizontais por modelos verticais, com 90 cm de largura e 1,60 m de altura, o que trouxe mais luz natural aos ambientes. Como não há closet e a proprietária não queria reservar uma única parede para os armários, a saída foi dispô-los, na suíte, de maneira que a janela ficasse centralizada entre eles. A prioridade era mexer no piso superior, obras que levaram quatro meses. Só oito meses depois é que as aberturas do térreo foram trocadas, quando Pedro já tinha nascido. Quanto aos acabamentos, no piso do hall de entrada e na lareira, usou-se mármore navona (R$ 522 o m², na Cia. do Granito) e perobinha no restante, a fim de criar uniformidade visual. Exceções: a cozinha com ladrilho hidráulico (a partir de R$ 45 o m², na Ornatos Nossa Senhora da Penha), o que confere certo ar campestre ao ambiente, e os banheiros revestidos de pastilhas de vidro. Para as paredes, Cinthia serviu-se do truque de pintar tudo com um tom neutro e claro, "próximo da cor de aspargo", para só depois escolher, com tempo e intuição, as cores que aqui e ali trazem vida aos interiores. Na área externa, Cinthia manteve os tijolinhos aparentes, trocou as molduras e usou terracota na pintura. O desenho original das grades foi reproduzido. Para ganhar área livre no exterior, durante a etapa inicial, mandou demolir a casa que existia nos fundos do terreno. "Só sobrou a edícula, com dependências de empregada e depósito", diz a arquiteta. Assim sobrou espaço para o jardim desenhado e composto pela própria Cinthia, com murtas, pitangueiras e plátanos, entre outras espécies. Uma decoração que privilegia o conforto e a praticidade compõe os ambientes, que mesclam tecidos naturais com móveis de fibra e peças de estilo antigo. "Brasileiro adora misturar", considera ela, que, embora tenha ascendência italiana, adora a terra natal. Uma pista? Basta reparar no cocar indígena, disposto sobre o espelho, no hall de entrada pintado de cinza.