Um pomar num tabuleiro

Steven Kurutz - O Estado de S.Paulo

Tendência nas grandes cidades é plantar árvores frutíferas em pequenos espaços, contêineres e até no porão

Gerry Grunsfeld, um advogado de 32 anos que cresceu na Inglaterra e hoje mora numa casa estreita de dois andares em Midwood, Brooklyn, tem o tipo de quintal do qual não se sabe, a princípio, se é melhor ter inveja ou pena. É um espaço verde, mercadoria preciosa para um morador da cidade, mas não é maior que um tabuleiro - além de estar cercado de prédios que bloqueiam, em parte, o sol. "As condições para o plantio estão longe do ideal", admite Grunsfeld. Entretanto, desde que comprou a casa, há quatro anos, ele transformou o jardim de 13,8 m² em um pomar, com árvores frutíferas e arbustos. Grunsfeld tem duas cerejeiras e duas macieiras em um contêiner. Há também uma ameixeira Santa Rosa e uma videira,plantada num barril e presa a uma treliça -"como não sobra uma polegada de espaço, tento fazê-la crescer verticalmente...". Três variedades de amoras pretas ficam atrás dos balanços das crianças, uma figueira ocupa um canto mais distante, e a lichia e dois pés de tangerina são cultivados numa espécie de estufa, no porão. Nos últimos anos, um número crescente de americanos transformou seus quintais em minipomares, plantando árvores frutíferas anãs ou semi-anãs, mesmo em densas áreas urbanas. Fornecedores de todo o país registraram aumento nas vendas de mudas, como os 15% do Viveiro Wilson, em Hickman, Lora Hall, universitária de 27 anos, é exemplo de quem possui um pomar motivada, segundo ela, pelo desejo de "desmamar-se" do supermercado. No ano passado, ela e o namorado compraram uma casa antiga em Silver Lake, em Los Angeles, com 6.500 m² de terreno. A maior parte dessa área é concreto, mas Lora está aproveitando o espaço disponível para plantar uma limeira, duas macieiras, uma ameixeira, dois pessegueiros, uma laranjeira e um pé de nectarina. Ainda há um limoeiro que vem crescendo num vaso. "Agora ele está coberto de botões e eu estou bem animada", diz Lora. Outro pomar doméstico no Brooklyn, de Ricci Albenda, também enfrenta desafios. Albenda, artista plástico de 42 anos, foi criado na área rural, mas passou 15 anos em apartamentos. Há cinco anos alugou um andar em uma casa porque tinha 69 m² de área nos fundos. Nela, criou um espaço verde com pessegueiros, cerejeiras, amoreiras e plantações dede morango e de kiwi."Dá o maior prazer comer algo que você plantou em seu quintal", diz. Como outros fruticultores, Albenda está aprendendo a lidar com a natureza. Sua videira, que se pendura por todos os muros do pátio, deu a primeira colheita, mas as uvas foram atacadas por fungos. Também teve de amargar os efeitos do clima nas duas vezes em que tentou plantar bananas no quintal, vendo-as sucumbir durante o inverno.