Um piso novo, sem quebra-quebra

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Mudar o revestimento exige planejamento – mas você não precisa, necessariamente, descartar o que já tem em casa

Sala de jantar com piso renovado pela aplicação de revestimento vinílico. Projeto Barbara Dundes

Sala de jantar com piso renovado pela aplicação de revestimento vinílico. Projeto Barbara Dundes Foto: Julia Ribeiro

Após um longo tempo de convivência com um ambiente, é comum experimentarmos um súbito desejo de mudança. Mas, ao contrário das paredes – nas quais a simples pintura é uma alternativa sempre à mão para renovar a decoração –, a troca do piso é uma operação que exige um pouco mais de planejamento. Mas não, necessariamente, um quebra-quebra sem fim.

Várias são as situações que podem justificar a troca de um piso por um novo, sem ter de recorrer à remoção do já existente. Desde o desgaste natural ocasionado pela circulação de pessoas e pelo arrastar de móveis, passando pela vontade de personalizar um apartamento alugado, até a simples intenção de ajustar o revestimento ao novo visual de um ambiente.

No entanto, antes de qualquer substituição, é essencial consultar um profissional especializado. Só ele pode avaliar se o piso existente realmente precisa ser substituído. E, mais do que isso, se está apto a receber um outro.

No caso de um piso de madeira maciça, por exemplo, dificilmente a troca é uma escolha acertada, mesmo quando a superfície estiver desgastada. Além da pintura, por meio de raspagem e aplicação de vernizes, na maioria das vezes, é possível recuperá-lo, deixando-o com um visual bem próximo de um revestimento novo.

Por outro lado, caso a aplicação de um novo material seja viável, é essencial verificar se a superfície a ser revestida não possui desníveis que podem dificultar sua aplicação e, depois, deixar marcas no novo piso. Nesses casos, é preciso providenciar, previamente, o nivelamento da base a ser revestida. Para orientar sua escolha, conheça algumas opções para trocar o piso sem ter de enfrentar todos os transtornos de uma obra.

Pintura. Nem todos os pisos podem ser renovados apenas com uma demão de tinta, mas, se o seu estiver em boas condições, é uma possibilidade a considerar. O tipo dela vai depender do material de base. Normalmente, recomenda-se a tinta epóxi, aplicada depois de uma camada niveladora capaz de ocultar juntas e sugerir um efeito de pavimento contínuo.

Vinílicos. A história dos pisos de madeira pode ser dividida entre antes e depois dos vinílicos. Apresentados inicialmente apenas em versões adesivas, eles hoje podem ser aplicados também por encaixe, o que, com alguma habilidade, pode até dispensar um instalador. Produzidos pela justaposição de diversas camadas de PVC, eles podem ser aplicados sobre diversos outros pisos: cerâmicos, de madeira e cimentícios, desde que estejam em perfeitas condições. “O piso vinílico precisa de uma base rígida para ser instalado. Se esse não for o caso, é preciso refazer o contrapiso para, só então, instalar as lâminas”, alerta Bianca Tognollo, da Tarkett (tarkett.com.br).

Como vantagem, os vinílicos podem ser utilizados também em áreas molhadas, como cozinhas e banheiros, e são encontrados em ampla gama de acabamentos, reproduzindo diversos materiais – da madeira ao mármore. Além disso, alguns deles têm propriedades especiais, como proteção contra umidade e fungos.

Mas, como qualquer outro piso aplicado sobre outro, para ampliar sua durabilidade, é primordial que ele seja instalado sobre superfícies bem niveladas, uma vez que, por possuir uma espessura muito fina, qualquer imperfeição torna-se muito visível.

Laminados. Aplicados como os vinílicos, por meio de encaixes ou cola, os laminados também são fáceis de instalar e podem recobrir diversas superfícies. No entanto, por ser fabricado quase que unicamente a partir de madeira, ele não é recomendado para áreas molhadas, já que pode estufar com o tempo. Além disso, por possuir maior espessura, de 6 mm a 17 mm, pode exigir que a altura das portas do ambiente seja adaptada à nova configuração do piso. “Apesar de 100% produzido a partir de madeira de reflorestamento, o produto não deve ser aplicado sobre nenhum tipo de piso do mesmo material. Já sobre mármores e cerâmicas, desde que bem nivelados, não há restrições”, adverte Samia Rossin de Souza, da Akafloor (akafloor.com.br).

Porcelanatos. Ao contrário do que ocorre com a madeira, é possível, sim, recobrir superfícies revestidas com pisos cerâmicos por pisos feitos com o mesmo material, como o porcelanato. Mas, para obter bons resultados, além da habilidade profissional na instalação, os cuidados que antecedem a aplicação devem ser redobrados. É fundamental, por exemplo, verificar se a superfície existente não apresenta peças soltas, quebradas ou sujeitas à infiltração. Em geral, a aplicação é feita com uma camada de 2 mm de argamassa colante, especialmente desenvolvida para esta finalidade.

Outro detalhe que deve ser levado em consideração é o número de portas internas existentes no ambiente, uma vez que o novo piso, inevitavelmente, ficará um pouco mais alto que o anterior, o que vai exigir ajustes na altura de cada uma delas.

Como vantagem adicional, o porcelanato pode ser encontrado em uma grande variedade de cores e texturas, algumas delas simulando, inclusive, outros materiais, como metal, madeira, concreto e mármore.

Piso de porcelanato em sala decoarada por Antonio Armando de Araujo

Piso de porcelanato em sala decoarada por Antonio Armando de Araujo Foto: Julia Ribeiro