Apartamento no Guarujá mistura clima de praia e conforto urbano

Roberta Cardoso - O Estado de S.Paulo

Imóvel, funcional e articulado, preserva a informalidade praiana

Placas de concreto foram usadas como revestimento das paredes dos quartos. Piso cinza e tons neutros imprimiram ao projeto ar urbano em meio à decoração despojada.

Placas de concreto foram usadas como revestimento das paredes dos quartos. Piso cinza e tons neutros imprimiram ao projeto ar urbano em meio à decoração despojada. Foto: Maíra Acayaba

Este apartamento de 96 m², com vista para o mar, localizado na Praia da Enseada, no Guarujá, foi durante décadas o refúgio de verão de um casal e seus dois filhos. O tempo passou, as crianças cresceram, eles se aposentaram e logo se tornou possível ampliar as temporadas passadas na praia. Mas, para isso, precisariam repaginar o imóvel, dotando-o de uma nova configuração, mais bem adaptada aos atuais anseios de toda a família. 

“Eles queriam mais um quarto, além dos dois que havia, para acomodar melhor os filhos. Outro ponto importante é que os clientes decidiram fazer do apartamento praticamente uma segunda casa, o que determinou toda uma nova abordagem dos interiores”, afirma o arquiteto André Di Gregório, sócio de Rodrigo Maçonilio, no Estudio BRA, responsável pela reforma. 

 

Confira as fotos do apartamento à beira-mar: 

Maíra Acayaba
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Assim, além de atender aos pedidos específicos dos moradores, o projeto procurou priorizar soluções capazes de dotar o apartamento de um nível de funcionalidade raro em imóveis do tipo, por vezes despojados demais. “A principal recomendação deles era de que os interiores não fossem uma caricatura da casa de praia, com os clássicos âncora e caramujo na parede”, brinca Di Gregório, que, para atingir a atmosfera desejada, optou por cores neutras e lançou mão de materiais de aparência rústica, como concreto e pedra vulcânica. 

“Gostamos de personalizar cada um de nossos projetos com o uso destes elementos. No caso da ‘caixa’ que envolve os quartos, as portas foram mimetizadas, criando a aparência de um cubo de concreto”, explica o arquiteto que, por meio do material e de um piso de porcelanato que imita cimento queimado, conseguiu imprimir aos ambientes o frescor tão almejado pelos proprietários. 

Em contraponto, uma grande estante de madeira, feita sob medida, esquenta a ambientação, além de abrir espaço para mais um sofá para acomodar as visitas. “Percorrendo todo o lado direito da planta, o móvel amplia a sensação de profundidade. Na extremidade ela vira um sofá, depois um painel de TV e, no final, oferece um nicho que funciona como bar”, explica o profissional.

Para arrematar, a integração da cozinha com a lavanderia proporcionou uma unidade maior ao conjunto. “A mesma bancada foi usada e os metais tem a mesma cor”, conta o arquiteto, enfatizando o papel da pedra vulcânica na ilha que separa a sala de jantar da cozinha. “Ela traz uma textura mais natural, o que se harmoniza com os demais elementos do projeto”, diz. 

Por fim, o projeto recebeu cuidados simples de paisagismo, mas ainda assim de efeito, que ultrapassaram os limites da varanda para se espalharem por diversos pontos do apartamento. “Distribuímos muitos vasos por quase todos os ambientes. Eles realçaram a mobília e ajudaram a trazer um pouco mais de natureza para dentro de casa”, finaliza Di Gregório.