Tudo novo em 15 dias

Marisa Vieira da Costa - O Estado de S.Paulo

Bastaram pequenas intervenções e bom planejamento de obras para que a cozinha mudasse radicalmente

Em apenas duas semanas, sem quebradeira e aproveitando a estrutura original, uma cozinha antiga ganhou roupagem contemporânea. O responsável pela transformação foi o arquiteto Carlos Marsi, que começou por ali a reforma completa de uma casa de estilo modernista, construída em 1966, no município de Ribeirão Pires. Encravado no terreno de 3.500 m², o imóvel sem telhado e com lajes flutuantes é usado para lazer de fim de semana de uma família do ABC. "Como os proprietários estão sempre aqui, pediram uma obra rápida, sem quebra-quebra, e que as mudanças fossem feitas em um ambiente por vez, preservando o estilo arquitetônico", explica Marsi. O profissional planejou intervenções pontuais na casa: deslocar a lareira para o centro do living, renovar o piso de tacos de ipê, adaptar a decoração ao conceito do novo projeto e refazer a área externa - instalando deck na piscina e atualizando o paisagismo. A reforma da cozinha de 11,5 m² levou apenas 15 dias porque Marsi fez um cronograma com os profissionais envolvidos nas várias etapas da obra. "Durante uma semana, eles trabalharam ao mesmo tempo. Programei a data da instalação de toda a parte de marcenaria, que já havia sido encomendada com antecedência, com a da pintura, da raspagem do piso e a aplicação de resina", explica. A primeira providência foi esconder a estampa de arabescos azuis e brancos dos azulejos com uma camada de tinta especial branca (da linha Novacor, o galão de 3,6 l sai R$ 79,50 na Tintas Famosas). O mármore piguês da pia estava poroso demais para que a peça fosse recuperada e, em vez de trocar, Marsi decidiu cobri-la com resina preta (trabalho executado pela JPA, que cobra R$ 412 o m²). "Fiz testes e constatei que se trata de um material bastante resistente", garante. O vão sob a pia ganhou outros armários, feitos de MDF branco com fendas pretas que servem de puxadores. O piso de granilite também foi conservado e com uma boa raspagem ficou com aspecto de recém-colocado. Jogo de cores Com o acabamento estrutural finalizado, Marsi partiu para os detalhes que deram cara nova à cozinha. Na parede acima da pia, ele instalou um painel de vidro preto (da Jaquesa Vidros, preço sob consulta), que sustenta uma barra de inox com ganchos para pendurar utensílios. Ao lado, entre a pia e a janela, um toque especial do arquiteto: duas estantes circulares do designer Nido Campolongo, produzidas em papelão laqueado de amarelo (que parece de madeira), sustentam eletrodomésticos. O vitrô ao lado do fogão recebeu persiana horizontal de alumínio preto com réguas de 50 mm. Em vez de coifa metálica, Marsi embutiu o equipamento em uma caixa de MDF branco com friso preto, dando continuidade ao acabamento da marcenaria. E na extremidade oposta, ao lado da geladeira Electrolux, instalou um móvel para embutir o microondas e guardar utensílios (da Maqui-Móveis, responsável pelos serviços de marcenaria; a empresa cobrou em torno de R$ 5.500 por toda o trabalho nesta residência). Em vez de porta convencional, a peça tem prancha deslizante laqueada de amarelo. Na decoração, o destaque ficou por conta de duas cadeiras da mesma cor, reproduções do modelo 3107 de Arne Jacobsen (original, custa a partir de R$ 1.975, na Forma). Ambas servem à bancada de MDF, pintada com a resina da pia. A reforma ainda incluiu a despensa, à esquerda de quem entra na cozinha. Também ali os azulejos foram pintados e as prateleiras de alvenaria ganharam resina preta. "Embora seja um conceito antigo, a despensa é prática", lembra Marsi. "Antes eram valorizadas a família e a sala de almoço...e eu mantive essa tradição". Já a despensa, agora mais vazia, abriu espaço para o louceiro. Carlos Marsi calcula o custo da obra em R$ 10 mil; e diz que a rapidez de uma reforma está sempre relacionada ao planejamento e à contratação de bons profissionais.