Tudo foi planejado neste estúdio de 19 m² em Paris

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Projeto investe em soluções capazes de ampliar a sensação de bem-estar e diminuir a de confinamento

O apartamento à noite com sua iluminação acionada

O apartamento à noite com sua iluminação acionada Foto: divulgação

Em que pese sua localização – em plena Île de la Cité, no coração de Paris –, um apartamento como este, medindo 19 m², seria considerado pequeno em muitos lugares do mundo. Mas, em se tratando da capital francesa, onde estúdios são alugados a partir de 9 m², até que ele está de bom tamanho. Adquirido em 2000 por uma família de brasileiros que no passado morou na cidade e hoje a visita sempre que pode, ele divide com dois outros o primeiro andar de um edifício construído em 1118 e que, em toda sua história (mais informações na pág. 6), foi submetido a uma única reforma, nos idos de 1848. 

“Ocorre que, ao mesmo tempo em que ficava desocupado parte do ano, a demanda de amigos e conhecidos pelo imóvel só crescia, o que levou os proprietários a vislumbrarem a possibilidade de alugá-lo”, explica o arquiteto Lourenço Gimenes, do FGMF, que assinou esse projeto de reforma com sua mulher, a arquiteta Clara Reynaldo, do estúdio CR 2 Arquitetura.

“A ideia era tornar o estúdio mais atrativo. Mas, além disso, era preciso que ele fosse prático, econômico e, de certo modo, neutro, capaz de se adequar a diferentes usuários”, explica Clara. “Daí a nossa preocupação em compor um espaço de fácil leitura, sem bruscas variações cromáticas, que permitisse aos hóspedes utilizar o apartamento sem complicações”, complementa Gimenes. 

Para tanto, o imóvel teve de ser 100% remodelado. Apenas a troca da persiana externa precisou ser aprovada pelo condomínio, já que o prédio é tombado. Mas, por se tratar de um edifício muito antigo, paredes, piso e teto não permitiam grande flexibilidade para a passagem da tubulação hidráulica e elétrica, o que determinou algumas soluções aparentes.

Ainda assim, mesmo que a reforma não tenha imposto radicais transformações ao imóvel, o acompanhamento da obra demandou um esforço extra. “Trabalhamos com uma empresa local, muito eficiente e rápida, que tocou todas as etapas. Mas, apesar dos trabalhos terem durado menos de dois meses, o gerenciamento à distância exigiu de nossa parte atenção permanente. Principalmente para não extrapolar os gastos”, comenta Clara.

Concluída as obras, as atenções se voltaram à escolha dos móveis. Além de reduzir o número deles ao mínimo, o casal de arquitetos selecionou a dedo, em endereços chaves da capital francesa, modelos compactos e versáteis. “Tudo por lá se move, se transforma de alguma forma. Apenas o banheiro permanece fixo”, conta Gimenes. Engana-se, no entanto, quem pensa que foi a premissa inicial de baixo custo que determinou essa visão tão depurada da decoração. “Acho que toda essa simplicidade foi uma imposição do próprio espaço. Afinal, para que sofisticar, quando, da janela para fora, Paris está lá, com todo o seu esplendor?”, conclui Clara.