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Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Sensuais e gráficos, utensílios criados pelo belga Alain Gilles para a Evolution francesa redesenham o cozinhar

A mais recente coleção de utensílios para cozinha desenhados por Alain Gilles  

A mais recente coleção de utensílios para cozinha desenhados por Alain Gilles   Foto: THOMAS DE BOER/DIVULGAÇÃO

A Evolution é uma fabricante de utensílios para cozinha criada em 2014 por Vincent Le Guern, na Normandia, noroeste da França. Empenhada em imprimir feições inovadoras a produtos classicamente empregados na culinária francesa, seu nome se liga, desde sua fundação, ao do designer belga Alain Gilles, responsável pelo departamento de criação da empresa. 

“Os produtos desenhados por Gilles seguem o ritmo de nossas vidas. Daí terem tanto a cara do nosso tempo”, considera Le Guern. “Ele tem a capacidade de transmutar objetos. Seja pelo seu traço sensual e gráfico, pelo contraste de materiais, por fazer conviver tantos períodos históricos em uma mesma peça”, afirma. 

Uma transmutação que no caso da garrafa Undercover se deveu, unicamente, à adoção de uma pele ao objeto. “A aplicação de uma camada de silicone no pescoço da garrafa não só o tornou mais presente, mas acabou definindo uma alça. Não se trata apenas de acrescentar uma certa graça a um objeto convencional, mas de facilitar seu manuseio”, explica o designer.

Um ex-operador do mercado financeiro, que, depois de estudar ciências políticas e marketing, se graduou em desenho industrial na França, onde encontrou sua real vocação. “Trata-se de uma peça que não merece mais ficar escondida no fundo da gaveta. Pode enfim circular livremente pela cozinha”, declara o designer diante de “Hot Stuff” (ou, Coisa Quente), outra de suas criações.

Um termômetro para carnes revestido de silicone, de seu mostrador à haste metálica, que uma vez introduzido no alimento afere seu ponto ideal de cozimento. Um instrumento repaginado no seu visual, mas que não deixa nada a desejar em relação à sua performance: com desenho simplificado ao máximo, seu mostrador indica o ponto de cozimento ideal para seis tipos de carnes.

Da mesa mais refinada ao armário mais padrão. A possibilidade de ocupar diferentes espaços e propiciar variadas formas de utilização determinou o desmembramento dos componentes que compõem o suporte de bolos “A senhora está servida?”: uma peça de cerâmica, mas com tampa plástica, em que Gilles mistura tradição e modernidade, fazendo do objeto um elemento decorativo mesmo não estando em uso. Ou, por outro lado, facilitando seu armazenamento, sempre que necessário.

“As duas peças se ligam por meio de simples encaixe. Uma vez separadas, por sua vez, a base pode se transforma em um copo que pode ser usado também para armazenar as caldas e molhos que muitas vezes acompanham os pratos. Já a placa de suporte foi concebida de forma a facilitar o corte e de servir fatias sempre do mesmo tamanho”, explica o designer.

Espécie de cereja do bolo da coleção, a tábua de carne “Todos a bordo” é um item essencial. “Pensei o objeto para aqueles momentos em que você se dá conta de que ainda há muito o que cortar, mas as cascas continuam lá”, brinca Gilles que incorporou ao objeto uma "colher” deslizante para ser removida com facilidade.

Mas isso não é tudo. A peça pode funcionar também como funil, de modo a reter tomates picados, por exemplo, ou ainda servir para cortar carne, facilitando a separação do caldo. Tudo muito simples, familiar e ao alcance da maioria dos mortais. Resta torcer apenas que ela, assim como as demais criações de Gilles aportem por aqui. Lançada na última edição da Maison & Objet, em Paris, a coleção ainda não tem data prevista de lançamento no Brasil.

THOMAS DE BOER/DIVULGAÇÃO
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