Todos para fora!

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Estamos em plena primavera e, mais do que nunca, o desejo de sair e passar as horas ao ar livre bate forte

Sala de visitas montada em quintal, com móveis resistentes ao ambiente externo

Sala de visitas montada em quintal, com móveis resistentes ao ambiente externo Foto: Nanimarquina

Calma. Não estou à beira de um ataque de nervos. Nem tampouco incentivando alguém a abandonar o isolamento em meio à pandemia. Rendo-me apenas às evidências: estamos em plena primavera e, mais do que nunca, o desejo de sair e passar as horas ao ar livre bate ainda mais forte. E é natural que seja assim. Como qualquer ser vivo, respondemos a ciclos, a mudanças sazonais e nos sentimos melhor a céu aberto. Especialmente quando o clima, e a companhia, nos é favorável. 

Uns mais – outros menos – confinados, desde março, fato é que neste período tivemos tempo de observar nossas casas em detalhes. E qualquer espaço aberto dentro delas, com atenção ainda maior. Como relatam os moradores de imóveis com quintais ou varandas, graças a eles, o próprio “ficar em casa”, imposto pela quarentena, não precisou ser interpretado, literalmente, como “ficar em casa”. Pôde representar uma possibilidade de reconexão com a natureza. Ou, para muitos, a chance de abraçar um estilo de vida mais ativo. Seja por meio do treino físico, do cozinhar ao ar livre, da prática da jardinagem.

Não chega, portanto, a surpreender que a experiência do isolamento tenha alçado casas e apartamentos com áreas abertas ao topo das preferências de quem pretende comprar ou alugar.

Segundo o portal imobiliário Imovelweb, um dos principais do mercado, a procura por apartamentos com varanda cresceu 128%, se compararmos os números de maio deste ano com os de 2019. Também em alta, o interesse por casas com quintal foi 45% maior em abril do que em fevereiro deste ano, pouco antes do início do confinamento.

“Meus clientes chegam com exigências específicas. Todos querem aproveitar ao máximo seus espaços abertos, de qualquer tamanho. Não se trata mais de ‘decorá-los’, com plantas e móveis resistentes. Mas de dar a eles uma real função”, comenta a arquiteta Fernanda Marques. “Pode ser uma cozinha completa ou apenas um canto para fazer uma pausa e se regenerar.”

Mas teria prazo de validade todo esse interesse pela vida “outdoor” doméstica? “Penso que, quando tudo passar, vamos nos sentir mais confortáveis para sair. No entanto, esta pandemia parece que abriu os olhos de todos para a diferença que uma área ao ar livre, utilizável e confortável, pode fazer”, afirma Fernanda.

De fato, tudo leva a crer que ainda vamos passar mais algum tempo em nossas casas. Por certo vamos viajar menos e a vontade de vivenciar o meio externo só tende a se acelerar com a chegada do verão. Portanto, se você está pensando em reformar sua varanda, vá em frente. Quem passou pela experiência sabe: em qualquer estação, sempre vale a pena cultivar um espaço aberto em casa. É um investimento que vale para a vida.

MARCELO LIMA É ARQUITETO E JORNALISTA