Tempo e simplicidade para criar um jardim dos sonhos

Luciana Carvalho - O Estado de S.Paulo

Gramíneas, capins e bambus, plantas de crescimento rápido, encheram o jardim de leveza e estilo

Os paisagistas optaram por usar areia na forração de todo o jardim, por conta do baixo custo na manutenção e menos uso de água. 

Os paisagistas optaram por usar areia na forração de todo o jardim, por conta do baixo custo na manutenção e menos uso de água.  Foto: Zeca Wittner/Estadão

Renata Tilli, Vera Oliveira e Lucas Tell Push foram os paisagistas responsáveis pelo paisagismo da Syshaus de Arthur Casas, e tiveram como principal objetivo, ao conceber o projeto, a coerência com a filosofia que Casas resolveu levar à mostra. A questão da sustentabilidade, por exemplo, um dos pilares sobre o qual se assenta a proposta do arquiteto, tinha de ser respeitado e, assim, a equipe executou todo o projeto sem resíduos. “Os lagos foram construídos sem o uso de concreto. Eles foram feitos manualmente, com materiais não poluentes, e contam com um sistema de tratamento biológico, que permite a existência de peixes e plantas aquáticas. O que temos é um lago vivo, sem cloro”, diz a paisagista. 

Para Renata, o jardim nos dias de hoje tem que ser prático e atual, sem a necessidade de muita manutenção ou o uso de espécies caras. Tal qual acontece no projeto, que emprega espécies comuns, com baixa necessidade hídrica, mas nem por isso deixa de priorizar o resultado estético final. Ainda assim, para acompanhar a velocidade da construção da casa – apenas 28 dias – os paisagistas tiveram de optar por espécies de crescimento rápido, que ocupam e encorpam o jardim rapidamente, tais como capim, gramíneas e bambu. 

Foi o tempo, aliás, que deu o nome e o tema central para a criação e concepção do projeto paisagístico do trio. “O tempo é o valor mais precioso para a natureza. É o que ela tem de mais importante, e por isso precisamos ficar atentos. Ele merece respeito”, pontua Renata, que quando questionada sobre o resultado do prêmio, em um ano no qual a mostra teve como tema ‘Casa Viva’, é enfática: “Me senti muito leve ao perceber que eu ganhei o primeiro lugar nessa categoria, em uma edição recheada de belos jardins. Não por vaidade, mas sim porque as pessoas reconheceram e perceberam a minha proposta na mostra. Sem falar que me sinto mega feliz de ter sido reconhecida por um júri de tamanha categoria”.