Sem complicação

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Entre designers e fabricantes presentes à última edição da semana de design paulistana, DW!, cresce a preocupação em simplificar ao máximo o desenho de móveis e objetos

Releitura de namoradeira, assinada pelo estúdio Mula Preta, para a mostra Brasil Tupi

Releitura de namoradeira, assinada pelo estúdio Mula Preta, para a mostra Brasil Tupi Foto: Mula Preta

Espécie de farol a guiar a produção internacional de móveis e acessórios para decoração, a semana de design de Milão, encerrada em abril último, deu mostras de que um modelo de consumo, baseado na ideia de extrair, transformar, para depois apenas descartar, parece estar atingindo seus limites. Cresce em todo mundo a consciência de que um futuro mais sustentável não só é altamente desejável, mas também possível e, entre nós, não poderia ser diferente.

Principal festival do gênero da América Latina, a Design Week de São Paulo, DW!, que termina hoje, contabilizando mais de 300 eventos espalhados por toda a cidade, entre lançamentos de coleções, mostras e palestras, não fugiu à regra. Matérias-primas renováveis como a madeira e o metal, processos semi-artesanais de produção e soluções de projeto atemporais e menos descartáveis, ocuparam o centro das atenções dos designers e fabricantes. E, também, caíram nas graças de um público diversificado, que compareceu em peso ao evento.

“A Semana de Design de São Paulo chega à sua 8ª edição assinalando um notável amadurecimento das nossas empresas e criativos, que foram responsáveis por dezenas de eventos que, pela sua qualidade e conteúdo poderiam figurar em qualquer festival do mundo”, afirma o empresário Lauro Andrade, idealizador e principal promotor da DW! paulistana . 

“Me agrada perceber que a preocupação com o meio ambiente se generalizou. Por quase todos lugares que passei, havia pelo menos alguma menção às palavras natureza, preservação e sustentabilidade”, diz a universitária Laís Correa, que cursa o segundo ano de desenho industrial e, em sua terceira incursão pelo festival, já havia conferido, até a última terça-feira, mais de 12 atrações.

“Uma abordagem do objeto mais humana, artesanal, natural eu diria, acaba tornando mais fácil a comunicação com o público”, acredita a designer Elisa Stecca, que participou da semana de design 2019 com seus objetos de pedra, apresentados pela Dpot Objeto.

De fato, produzidos artesanalmente, em sua totalidade ou partes, móveis e objetos de madeira de desenho simples e descomplicado, com ou sem elementos metálicos, dominaram os lançamentos. Ao mesmo tempo em que, peças produzidas em série, parecem ceder espaço à versões mais imperfeitas, com superfícies táteis pronunciadas e, em geral, feitas à mão.

E não surpreende que seja assim. Afinal, em uma época em que procedência, herança cultural e sustentabilidade se tornaram aspectos quase obrigatórios na construção de uma marca, o artesanato só poderia estar, mais do que nunca, na ordem do dia.

Confira alguns dos principais lançamentos:

Etel
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