Salas para bem estar

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

O estilo de vida de cada morador é fator preponderante na montagem destes ambientes

Projeto do estúdio de arquitetura Meyer & Cortez em apartamento no Morumbi

Projeto do estúdio de arquitetura Meyer & Cortez em apartamento no Morumbi Foto: Zeca Wittner/Estadão

Situadas quase sempre no coração da casa, as salas de estar, integradas ou não a outro ambiente, são um bom espaço para o morador dar o seu toque pessoal. Projetadas para receber convidados, passar o fim do dia em família ou ser o local de reunião nos fins de semana, aqui elas têm um novo status: o de salas de bem-estar. 

São espaços que ganharam atenção especial de arquitetos e decoradores, a fim de criar o ambiente ideal segundo o gosto da família. Houve quem fizesse questão de ter um cantinho confortável para deitar, quem investisse em uma boa peça de design para os momentos de leitura e até quem lançasse mão do desafio de usar cores vibrantes com inspiração étnica, em homenagem às origens da família. 

No projeto do estúdio de arquitetura e design Meyer & Cortez, de Danielle Cortez e Natália Meyer, no bairro do Morumbi, um espaço entre o estar e o antigo terraço foi delimitado por paredes de vidro para ser um pequeno oásis dos moradores. Situado atrás do painel de madeira de demolição que abriga a TV, o canto de relaxamento guarda um futon feito sob medida e revestido com linho. As almofadas, nos mesmos tons presentes na sala propriamente dita, completam a produção. “É algo simples que funcionou muito bem para os moradores, que nos pediram um lugar para deitar que não fosse no sofá principal”, conta Natália. 

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Grandes vasos foram dispostos nas laterais do espaço, com aspargos, crássula e ficus-nigra. “A família gosta de ter verde em casa e os vasos também ajudam a delimitar a área. No restante do estar há outras espécies, como no quadro verde onde colocamos pequenos vasos de rhipsalis que contam com irrigação automática”, explica Natália.

A decoração do canto de relaxamento segue o mesmo conceito do estar. “Usamos o azul-marinho, uma alternativa ao preto que foi a escolha do proprietário em um primeiro momento. O tapete, feito sob encomenda, com o desenho da calçada de Copacabana é mais um pedido especial que atendemos, já que o morador é carioca.” A iluminação, totalmente automatizada, na área do futon é feita com arandelas instaladas no painel de madeira. “Na sala apostamos no LED, como nos nichos da estante, iluminados por fitas.”

O decorador Marcelo Arabe atendeu a diversos pedidos do casal de proprietários quando planejou esta sala, em uma casa em Alphaville, como incluir o laranja na paleta de cores e criar lugares para abrigar a coleção de fotografias e de objetos trazidos de viagens. E tudo tinha de estar envolto sob forte inspiração étnica. “São todos elementos um pouco difíceis de serem usados, especialmente juntos. A primeira etapa foi criar dois ambientes, aproveitando uma parte da varanda que perdeu a porta e foi integrada ao estar. Isso me deu mais liberdade para desenvolver o espaço que eles desejavam”, explica.

Na sala principal, a estratégia usada pelo decorador foi coordenar diferentes tipos de tecidos e estampas. Os móveis, de identidade visual forte, os proprietários trouxeram da antiga casa. “Como conseguimos estender a sala para a área externa, coberta com policarbonato depois da reforma, fizemos um outro ambiente, que segue a linha do ambiente interno, mas que ganhou outro clima por ter uma parede forrada de hera”, comenta.

Em Higienópolis, a sala de estar de um apartamento em um dos cobiçados prédios do bairro reflete a personalidade descolada e o olhar afinado de seu morador, o arquiteto Gustavo Calazans. Entre objetos que herdou da avó, como a caixa de madeira antiga que guarda o antigo aspirador de pó, as geladeiras vintage que não funcionam mais – essas estão na sala de almoço – e um grande aparador com arranjos e luminárias, está uma peça recém-adquirida e que já entrou na lista de preferidas do arquiteto: uma poltrona Moleca, versão desmontável da Mole, de Sergio Rodrigues, arrematada em um bazar. “Minha sala é grande, tem 70 m², e é o lugar perfeito para festas, o que eu faço sempre. Mas eu preciso de um cantinho para ler, e essa poltrona me pareceu perfeita para criar um ambiente tranquilo em meio a isso tudo”, explica Calazans. 

Avesso a regras de como deve ser uma sala ideal, Calazans gosta de propor novos usos ao objetos. “Há quem tenha objetos cênicos na sala, como forma de ornamentação, e quem disponha em sua casa objetos que digam respeito à sua memória afetiva. Outros mostram suas coleções, outros se restringem a ter o mínimo. Não há regras e, para mim, todas essas alternativas anteriores podem coexistir.”

Sempre verdes

Para que suas plantas fiquem sempre bonitas e saudáveis dentro de casa, é importante escolher variedades que se adaptem bem a ambientes fechados. “Gosto de usar lança-de-São-Jorge, rhipsalis e aspargos. São espécies que precisam de pouca água, o que facilita a manutenção. Antes de escolher, avalie a incidência do sol, do vento e do calor”, diz a arquiteta Natália Meyer. Se optar por um quadro verde certifique-se de que a parede aguenta o peso da estrutura. “Em caso de paredes de drywall é necessário prever uma sustentação interna durante a obra.”

Uma sala para chamar de sua 

Disposição dos móveis

Salas menores pedem novos arranjos, diferentes do clássico com dois sofás iguais um na frente do outro. Use pufes, poltronas confortáveis e sofás mais desestruturados e em formatos assimétricos ou modulares, aconselha o arquiteto Gustavo Calazans.

Objetos de decoração

A liberdade é o tom da vez, vale tudo. Use objetos de que você mais gosta para decorar a sala. Na hora de organizá-los, o arquiteto passa a dica: “Os triângulos têm maior estabilidade visual, então, reúna objetos de três em três. Muitas vezes uma trinca de objetos pode formar um dos pilares de outro triângulo”

Iluminação

Misture luz difusa (abajur), luz indireta (rebatida para o forro), luz direta focal (embutidos), luz cênica (como as dicróicas), luz divertida (em elementos decorativos). Quanto mais complexa for a iluminação de um ambiente, mais ela permite criar cenas diferentes

Cores

Acessórios coloridos são capazes de mudar a cara do ambiente e há opções que não custam tão caro. Para ter um resultado harmonioso, repita a mesma cor em vários lugares da sala. Uma base neutra facilita para quem tem receio de ousar