Reserva para três

MARINA PAULIQUEVIS - O Estado de S.Paulo

Sócios do Le Bou gostam de se reunir para provar receitas e jogar conversa fora

Entre uma taça de vinho francês e outra, os pratos vão sendo preparados na iluminada cozinha de Régis Carvalho. O apartamento, em um prédio do fim dos anos 60 nos Jardins, passou por uma reforma que ampliou a cozinha - agora, só uma porta de correr a separa da sala de estar. Bem ao jeito para reunir amigos para cozinhar e beber. O problema é que tem faltado tempo para esse prazer. Régis e os amigos Ronaldo Carrilho e Éder Peres andam às voltas com o comando do restaurante Le Bou, no Itaim, que compraram em 2006. A experiência deu tão certo que eles já planejam abrir uma filial.

Mas nenhum deles pilota as panelas do restaurante. Quem chega mais perto disso é Ronaldo, que apenas supervisiona a cozinha do chef José Bella Cruz. Régis e Éder cuidam da parte administrativa. "Régis também troca as lâmpadas", brinca Éder. A propósito, Régis é um engenheiro mecânico, que, em 2002, deixou a carreira para ser comerciante.

Cada um dos três sócios tem mesmo rotinas diferentes fora do restaurante. Ronaldo dá aulas de física em um cursinho pré-vestibular e nem pensa em deixar a sala de aula, mesmo batendo ponto no restaurante todas as noites. "Adoro o que faço", garante. Éder, que já foi executivo da área financeira, agora dedica-se sobretudo ao restaurante.

E o que reuniu esse trio? Justamente o gosto pela gastronomia. Logo depois de terem se matriculado em um curso da Escola Wilma Kövesi de Cozinha, em 2004. ficaram amigos. Dois anos depois, sócios. Em algumas das noites em que não tinham aula, faziam jantares com outros colegas para trocar receitas e praticar. Em uma dessas noitadas, aprenderam a fazer o arroz Thai, que Éder ensina para o Casa&. Ronaldo preparou uma salada que ele próprio criou e deve ser incluída no cardápio do Le Bou, de inspiração mediterrânea. Régis ficou com o crepe de maçã da sobremesa. Em todos os pratos, os ingredientes são simples e o preparo fácil, sem segredo. "Não gosto de experiências gastronômicas, nem no restaurante nem em casa", diz Ronaldo. No apartamento de 208 m² reformado pela arquiteta Flávia Ralston, a cozinha, ampliada, ficou com 20 m². Um janelão garante a luminosidade para o espaço, que tem armários da Kitchens. "A prioridade foi ter espaço para cozinhar", diz Régis. Ele a mulher fizeram questão de reservar um lugar para a adega (Transtherm), lotada de vinhos franceses comprados quando o casal morou na França e na Bélgica, entre 1999 e 2000, e outro para os livros de culinária. Uma edição de 1963 de Dona Benta Comer Bem (Editora Nacional, R$ 79,30, no site das Lojas Americanas), toda remendada, chama a atenção na estante.

Usado com frequência - pelo trio de amigos e pelos donos do apartamento -, o kit de vinho (R$ 339 da Screwpull, na Artmix) com termômetro, sacarrolhas e corta-cápsulas repousa sobre a ilha onde os pratos são preparados, também usada como mesa nas refeições do dia a dia de Régis e sua mulher.

Apesar dos equipamentos de grife, como o fogão italiano de 5 bocas (Ariston) - "comprado em uma liquidação" -, Régis entende que uma boa cozinha não precisa ter só objetos caros. "Os nacionais, mais baratos, são tão bons quanto os importados", garante. Prova disso é que os amigos usaram uma faca Tramontina básica no preparo do prato principal - e um maçarico Orca (R$ 155, na Fornitura Santa Isildinha) para finalizar a sobremesa.