Renove o seu guarda-roupa

Ana Lourenço - O Estado de S. Paulo

Doar, customizar e arrumar: aproveite a quarentena para reorganizar suas peças

Prove os looks ao longo das semanas e vá separando o que fica e o que vai para a doação; assim, a arrumação será menos traumática

Prove os looks ao longo das semanas e vá separando o que fica e o que vai para a doação; assim, a arrumação será menos traumática Foto: J. Adam Huggins/The New York Times

A regra básica é: se você tiver uma peça no seu guarda roupa por mais de um ano e não a utilizou, está na hora de passar para frente. “Um ano é o período que você já passou por todas as estações e já presenciou diversos tipos de eventos. Se você ainda não usou, não vai usar mais”, diz a designer de moda Bruna Godoy. Com isso em mente, é hora de aproveitar a quarentena para encarar seu guarda-roupa com a missão de se livrar de tudo o que não for mais útil e, assim, facilitar a arrumação.

Pessoalmente, tenho feito um exercício diário desde que começou a quarentena: me vestir cada dia com uma roupa, sem repetir. Costumo vesti-la, refletir sobre como eu me sinto e, ao retirá-la, já defino seu destino: cesto de lavar ou cesto de doar. Para ajudar nesse processo, confira o passo a passo:

Defina o que você ainda quer usar. Ao vestir cada peça, categorize-a como roupa para sair, ficar em casa ou ir para o trabalho. Outra dica para ajudar a definir se aquela calça ainda merece um lugar no seu guarda-roupa é fotografar as possíveis combinações de cada peça. 

“Pegue uma blusinha e veja com qual calça ou saia ela fica boa. Logo em seguida fotografe. Até arrumar todo o seu armário. No final você vai ter uma pasta com ideias de looks e, quando for sair, depois da quarentena, as ideias já estarão prontas”, sugere Bruna.

Você irá perceber que se soltará mais ao longo dos dias. Ao invés de manter a tradição jeans e camiseta, se pegará fazendo combinações diferentes e ousadas e, com isso, pode redescobrir um novo estilo. “Eu acredito que os outros rotulam muito a roupa do outro. Acho que se a pessoa está se sentindo bem, tem de se vestir assim mesmo”, diz a influenciadora digital Dayellen Pâmela.

Considere customizar antigas peças. O guarda-roupa da economista Amanda Facco era repleto de camisetas com desenhos de séries e filmes, combinando com jeans e tênis. O trabalho, no entanto, exigiu dela uma mudança de visual, hoje incorporada ao seu estilo. “Me pego usando salto alto até de fim de semana. Me visto por prazer, não por obrigação”, diz Amanda. No entanto, não é preciso se desfazer de todas as roupas antigas: uma alternativa é investir na customização

Jaqueta customizada pela designer de moda Bruna Godoy

Jaqueta customizada pela designer de moda Bruna Godoy Foto: Instagram/Reprodução

“Tesoura, linha e tinta de tecido. Essa é a base para começar”, diz a designer Bruna, que em seu instagram (@brugodoy.art) ensina a transformar peças e acessórios. “O mais legal é transformar uma peça que você não usava mais em algo que seja a sua favorita.”

Para os novatos, a dica é começar por uma camiseta de algodão. “Além de ter um custo barato, a tinta de tecido vai pegar muito rápido”, explica. Se precisar de inspiração, procure a rede social Pinterest ou alguns perfis no Instagram, como @modalimpa, @bisa.vo e @comas_sp, que trazem publicações e workshops online com tutoriais e dicas.

Doar ou vender. Aumentar a vida útil da peça é uma preocupação que tem tudo a ver com sustentabilidade. Portanto, se aquela peça não combina mais com você, ainda assim ela pode ter um bom uso. “A gente só usa 30% da vida das roupas. Queremos dar mais ciclo de vida para essas peças paradas, gerando um impacto ambiental e social nesse processo”, explica Tadeu Almeida, CEO do brechó online Repassa (repassa.com.br).

Higienização e categorização das roupas é feita pela equipe do Repassa

Higienização e categorização das roupas é feita pela equipe do Repassa Foto: Nathaly Carapeto

E como fazer isso durante a pandemia? No caso do Repassa, a ideia não é apenas vender suas peças, mas também ajudar instituições (como Graac e Fundação Abrinq). Assim, eles enviam para a casa de quem quer vender a Sacola do Bem. “A partir daí a pessoa escolhe se quer receber todo o valor das vendas ou se quer ajudar com uma porcentagem de doação para uma das ONGs que a gente apoia”, explica Tadeu. Aliás, a limpeza das peças foi reforçada para eliminar qualquer possível vestígio de coronavírus. Se seu foco for apenas doar, as Casas André Luiz (casasandreluiz.org. br) continuam recebendo doações de toda a Grande São Paulo.

Finalmente, a arrumação. Com as roupas devidamente separadas entre reformas, doação e utilizáveis, chega a parte mais difícil: arrumar. Para não fazer dessa uma experiência traumática, eu já tenho feito a separação a cada uso. As roupas que já passaram pelo teste e não vão para o cesto de doação, coloco no final do armário. De forma que as do começo da gaveta, ou do lado direito do varal, serão as que devem ser as experimentadas. “Para os que assim como eu têm certo receio de ver o armário com cores misturadas, troque o lado do cabide, de modo que ao bater o olho se perceba quais já foram utilizadas”, aconselha a personal organizer Priscila Varella.

“O mais importante é você ter uma disposição das peças do modo como você usa. Por exemplo, roupas sociais para o trabalho são diferentes das roupas de ficar em casa, então se você conseguir diferenciar cada uma dentro do seu armário, é o ideal.” 

“A nossa vida muda o tempo todo. E as roupas evoluem com a gente. É uma mudança bastante interna”, reflete a influenciadora Dayellen. Por isso, lembre-se de repetir a operação no futuro.