Reforma atualiza apartamento da década de 1950

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Obra abriu espaços e valorizou arquitetura em prédio de 420m²

Reforma ampliou ambientes em apartamento antigo de Higienópolis

Reforma ampliou ambientes em apartamento antigo de Higienópolis Foto: Demian Golovaty/Divulgação

Ao se decidir por este apartamento dos anos 1950, em Higienópolis, o casal de proprietários sabia que seria preciso fazer uma obra grande no imóvel. Não por encontrá-lo em más condições, mas sim por preferirem uma disposição de ambientes completamente diferente da original. “A planta tinha uma configuração adequada à época. Na parte íntima, contava com biblioteca, três quartos grandes, e dois banheiros. A parte social também era bem segmentada”, diz Beatriz Fujinaka, do WF Arquitetos, escritório responsável pela reforma. 

O projeto começou definindo os novos espaços previstos: teriam de ser acomodadas quatro suítes para as crianças e uma, maior, para o casal. Espaço não era o problema, já que o apartamento se espalha por 420m², mas foi preciso driblar algumas questões para colocar o desejo dos moradores em prática. “Certamente o maior desafio que encontramos foi criar os novos banheiros da área íntima. Foi preciso adaptar toda as estruturas hidráulicas próximas aos quartos. A saída foi criar banheiros compartilhados, ou seja, cada banheiro atende a dois quartos. A suíte principal, do casal, tem um banheiro exclusivo”, conta Stephanie Wolff, também à frente do projeto.

A variação de pés-direitos também teve de ser driblada pelas arquitetas. No closet, por exemplo, a diferença de altura fica por conta de uma laje dupla, que esconde a tubulação do apartamento do andar de cima. “A estrutura do prédio foi algo bastante relevante no projeto. É uma construção bem robusta, tem muitas vigas e pilares, que tiveram de ficar aparentes e serem incorporados à ambientação dos espaços”, comenta Beatriz.

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Depois da obra, a cozinha e a sala de almoço foram integradas para favorecer a convivência com quem está comandando o fogão, mas ficam separadas do estar por uma porta de vermelho vibrante. Na área social, bastante ampla por exigência dos moradores, a marcenaria fixa desenhada pelo escritório tem papel crucial na estética do espaço. “Na sala de jantar instalamos um painel de laca branca que mimetiza as portas de acesso à área íntima, lavabo, chapelaria e louceiro. O desenho dele é discreto, para criar unidade e não poluir o ambiente visualmente”, explica a arquiteta. Outro exemplo de como a marcenaria determina os espaços neste apartamento está no aparador de pau-ferro de 12 metros, que percorre toda a parede da área social. 

Com tanto espaço à disposição, a decoração do novo apartamento poderia contar com muitos elementos sem que a circulação fosse comprometida, mas essa não era a ideia para este projeto. “O conceito que nos permeou foi tirar partido dos elementos arquitetônicos que remetem à época da construção do prédio. Desejávamos estabelecer um diálogo entre o hoje e o ontem da maneira mais natural possível, sem muitos móveis”, diz Stephanie. Para isso, as profissionais buscaram inspiração no vintage. Encontraram o par de poltronas azuis de Martin Eisler, e as cadeiras de madeira e palhinha colocadas no jantar. O néon na parede cumpre o papel de trazer um elemento contemporâneo ao espaço. 

Ao final da obra, o que se vê é um apartamento bastante diferente do original, mas que presta homenagem à construção de 1950. “Conseguimos adequar um grande programa mantendo a sensação de fluidez e amplitude. E os elementos arquitetônicos estão presentes, agora, com mais espaço.”