Prontos para maratonar?

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Mesmo sem ter um espaço específico de cinema em casa, dá para aprimorar a experiência de assistir filmes e séries acomodado no sofá da sala

Altura da TV e distância do sofá devem ser medidas de acordo com o tamanho da televisão. Projeto Renato Andrade e Erica Mello

Altura da TV e distância do sofá devem ser medidas de acordo com o tamanho da televisão. Projeto Renato Andrade e Erica Mello Foto: Luis Gomes

Filmes de todos os tempos. Os desenhos animados favoritos da garotada. Séries há tempos assinaladas, que só agora começam a sair das listas das favoritas. Em tempos de quarentena, poucos móveis da casa estão sendo mais disputados pela família do que o sofá da sala. Especialmente quando ele está bem posicionado frente à TV, em condições de oferecer perfeita visualização da tela, além de boas condições de recepção sonora. Mesmo sem ter um espaço específico de cinema em casa, dá para aprimorar a experiência da sua maratona de filmes e séries. Veja como: 

Tela. O desempenho de sua sala de exibição começa pela definição do tamanho da tela. Uma TV pequena, longe dos olhos, força a visão. Uma grande, próxima demais, cansa logo. Para saber a distância em que deve posicionar seu sofá, multiplique o tamanho da tela, em polegadas, por 2,54 e, depois, por 1,5. Assim você terá a distância recomendada, em centímetros. Para justificar a compra de um aparelho de home theater, a TV deve ter a partir de 32’. A altura de fixação do aparelho na parede ou sobre o móvel de apoio, segundo especialistas, é de 120 cm a 160 cm do chão, até o centro da TV. Essa distância leva em consideração a altura média dos olhos de uma pessoa sentada em seu sofá. 

Equipamento. As opções variam em função da quantidade de caixas de som, mas também do tipo de áudio emitido. Antes de partir para a compra, considere as características de cada um e o espaço disponível. Não adianta comprar um equipamento de home theater com diversas caixas se elas não forem compatíveis com as dimensões da sua sala. 

Considerando que uma tela de TV de 46’ necessita de uma distância mínima de visualização de 1,75m, entre a sua superfície e o telespectador, opte pela compra de um equipamento de home theater tradicional – formado, em geral, por duas caixinhas que devem ficar próximas à TV, três de som que devem ficar próximas ao sofá, subwoofer (caixa alto-falante) e o receiver (as entradas para cabos) –, apenas se sua sala tiver, no mínimo 4 m². 

Se ela for menor, considere uma sound bar: um sistema que tem como proposta simplificar o conceito de home theater, aprimorando a potência e a qualidade do som das smart TVs, mas sem a complexidade da montagem do sistema tradicional. Composto, geralmente, por apenas duas peças, uma barra e um subwoofer, a sound bar se conecta facilmente a qualquer smart TV e pode ser posicionada logo abaixo desta. Uma solução prática e que ocupa menos espaço.

Som. O áudio (2.1, 5.1, 7.1, 9.1) de um home theater é definido pelo seu número de alto-falantes. Se for 2.1, dois. No 5.1, cinco, e assim por diante. Quanto mais caixas acústicas, mais realista será o som. E maior deverá ser sua sala. Posicionar duas caixas atrás do sofá, uma à esquerda e outra à direita, duas perto da TV, uma de cada lado também, e a quinta junto ao subwoofer, abaixo da televisão, é a disposição clássica para que os efeitos de som sejam mais realistas. Durante uma cena de ação, por exemplo, se um avião estiver decolando, o som começará nas caixas de trás e passará para as que estão na frente. Os alto-falantes podem ficar escondidos ou presos na parede. Mas, se o sistema de caixa for aparente, estas devem estar dispostas na altura dos ouvidos.

No caso das sound bars, uma única peça traz vários alto-falantes para emitir os sons agudos e médios, enquanto o subwoofer fica reproduz os sons mais graves e cria a sensação de envolvimento sonoro na hora de reproduzir um vídeo musical. Existem ainda opções de soundbar com subwoofer sem fio e com acionamento por bluetooth.

Sofá. Conforto é pessoal. Portanto, escolha o modelo que mais o agrade. Certas recomendações, no entanto, podem aprimorar seu relaxamento. Segundo o arquiteto Marcelo Rosset, pessoas de mais idade preferem sofás menos profundos, mais firmes e não tão baixos, mais cômodos para coluna e também para levantar. “Já os mais jovens sentam de maneira mais despojada e optam por sofás mais profundos e macios.” Fique atento ao tipo de revestimento. Couro ou tecidos encerados, apesar de oferecerem manutenção mais fácil, não são os mais indicados, principalmente nos dias mais quentes. Prefira os naturais, macios e mais agradáveis ao toque.

Apoio e decoração. Pufes, mesinhas laterais fáceis de deslocar e mesa de centro podem servir de suporte para receber a caixa com os controles remotos, bebidas, petiscos, além, claro, da pipoca. “Para ampliar ainda mais o conforto, coloque pufes na frente do sofá para apoiar os pés e mantas de tricô. São elementos funcionais, mas que podem ajudar a aprimorar o visual da sala”, destaca Marcelo Rosset. Para a arquiteta Barbara Dundes, almofadas sobre o sofá são bem-vindas. “Elas facilitam a acomodação e, como podem ser facilmente trocadas, deixam o visual sempre atual”, diz. Mesmo caso do tapete. “Um tapetão mais felpudo pode ser um trunfo na hora de assistir desenhos com os filhos”, recomenda o arquiteto Renato Andrade.

Revestimentos. Segundo a arquiteta Erika Mello, o ideal é que a sala de TV seja mais escura, mas não necessariamente com paredes pretas ou grafite. “Use tons mais invernais, aqueles que se aproximam mais do cinza.”

Iluminação. O nível de luminosidade durante a exibição dos filmes deve ficar estável, sem reflexos na tela da TV. Verifique a posição dos pontos de luz no ambiente, como abajures e aparelhos eletrônicos, e elimine a claridade vinda das janelas com cortinas ou blackouts. Uma vez resolvida essa questão, é só apagar as luzes. A sessão pode começar.