Pratos na parede: a decoração que nunca sai de moda

Ana Lourenço - O Estado de S.Paulo

Com o passar dos anos os ‘pratos da vovó’ se reinventam e ganham espaço nos projetos - seja para realçar a memória afetiva ou fugir da já conhecida composição com quadros

Frases, fotos, pinturas: tudo é válido na hora de compor sua coleção de pratos. Na foto, parede afetiva na casa de campo em Niterói da arquiteta e artista plástica Desirée Bruver

Frases, fotos, pinturas: tudo é válido na hora de compor sua coleção de pratos. Na foto, parede afetiva na casa de campo em Niterói da arquiteta e artista plástica Desirée Bruver Foto: Desirée Bruver

A maioria dos momentos de celebração ou festividade acontecem em torno da mesa. Por isso mesmo nossa relação com a louça (e com a comida) é de afeto. O faqueiro que ganhamos de presente para a primeira casa, a travessa onde servimos uma comida nova pela primeira vez ou uma simples xícara de chá que carrega histórias compartilhadas no calar da noite. A louça nos conecta com as nossas memórias e são um lembrete de conforto e carinho dentro de casa.

“As pessoas precisam ter objetos únicos, que sejam delas, que tenham referência com a história delas”, opina a designer Lucia Goulart que faz pratos decorativos pintados à mão e personalizados sob encomenda. 

A prática de colecionar pratos como souvenir foi popularizada no século XIX por Patrick Palmer-Thomas, um nobre holandês cujos pratos traziam desenhos de eventos especiais ou locais bonitos. A primeira edição limitada de conjunto de pratos é creditada à empresa dinamarquesa Bing & Grøndahl em 1895, mas a prática de pendurar pratos na parede vem muito antes disso. 

“Antigamente as pessoas tinham pratos na parede por uma questão utilitária. Ficava ali porque era usado, uma forma prática de guardar, como fazem hoje com algumas panelas”, explica Lucia. Justamente por trazer essa ideia do passado, muitos associam a decoração com ‘casa de vó’. No entanto, com o passar dos anos a decoração foi se reinventando e continua em alta até hoje. Seja pela questão da decoração afetiva, da onda retrô, pelo prazer de colecionar ou devido às inúmeras possibilidades de decoração que o prato permite. 

“Por que não trazer esses objetos para a  decoração e expô-los como peças ornamentais ao invés de deixá-los guardados no fundo de um armário? Mais legal do que ter uma casa com as últimas tendências, é ter uma casa que converse com quem você foi e com quem você é”, reflete Mariana Moreto da loja Banana Bananeira. 

Decoração. Lembranças de viagens, quadros de família, frases marcantes ou simplesmente uma boa gravura. As opções são diversas, assim como os estilos que podem abraçar esse tipo de decoração. Tudo depende, claro, da escolha pessoal de cada morador.

No projeto do Jardim Paulista, assinado pelo Andrade e Mello Arquitetura, os sete pratos seguem o estilo moderno. “A moradora que saiu de Manaus para morar em São Paulo queria que tudo tivesse a cara da nova cidade, por isso investimos mais no preto e branco e na geometria”, diz Erika Mello. “Também sugerimos a ideia para sair do tradicional dos quadros, pois com os pratos conseguimos ter um desenho mais orgânico que sai da rigidez dos móveis, por exemplo”.

Diferente do escritório Andrade e Mello que optou por uma linha mais tradicional com a decoração dos pratos em um ambiente de comer, o Vira Mundo Ateliê, em colaboração com a loja Banana Bananeira investiu na decoração para crianças.

Frases comumente usada por mães foram a inspiração para criar pratos decorativos infantis

Frases comumente usada por mães foram a inspiração para criar pratos decorativos infantis Foto: Mariana Moreto

“Hoje uso com os meus filhos todas as “frases de mãe” que minha mãe usava comigo e que eu dizia que jamais usaria. Baseada nessa reflexão, pensamos em fazer uma série de pôsteres com esse tema”, conta Mariana. “Não é porque as crianças não têm exatamente a mesma sensibilidade artística ou estética que os adultos, que elas não se encantam com o belo”. 

Pense sempre na composição que você deseja criar. É possível misturar as peças com diferentes formatos, tamanhos e estilos ou seguir o mesmo padrão, cobrindo uma parede inteira, por exemplo. “Para facilitar na hora da composição, eu costumo medir a parede a ser decorada e reproduzi-la no chão, com fita crepe. Isso permite testar várias possibilidades e tirar as medidas exatas antes de sair furando as paredes da casa”, sugere Mariana.

Assim como qualquer composição na parede, é preciso se atentar para o distanciamento das peças e altura desejada. “É importante que que eles estejam na altura do olhar, para ficar em um ângulo de visão mais comum para as pessoas olhar e admirar. 1,60m  mais ou menos, dependendo do morador, claro”, indica Erika. 

Fique atento também na hora de fixar os pratos na parede. Existem inúmeros suportes no mercado, mas o velho e bom preguinho é a opção mais indicada, até mesmo para as peças menores. As fitas adesivas, por outro lado, não são nada recomendadas. “Lembre-se que a gente mora em um país tropical que tem variações de temperatura e podem fazer com que eles percam a força”, diz Lucia.

Inspire-se com algumas composições:

Lucia Goulart
Ver Galeria 13

13 imagens