Por uma casa mais limpa

Marisa Vieira da Costa - O Estado de S.Paulo

A arquiteta Fabiana Avanzi elimina excessos e troca materiais para dar vida ao sobrado dos anos 50

O excesso de degraus, portas e pilastras foi o principal desafio com que a arquiteta Fabiana Avanzi deparou quando começou a traçar o projeto de reforma de uma casa no Alto de Pinheiros. A proprietária, que resolvera trocar o apartamento de 380 m² na Vila Nova Conceição por um sobrado em uma rua sossegada, fez poucas exigências, mas Fabiana não hesitou em pôr paredes no chão.

 

"Vim com ela visitar a casa antes da compra, em janeiro de 2009, e fiquei assustada. Era horrível. Na frente, tinha uma cerquinha e a porta de entrada era almofadada. Uma das salas ficava praticamente em um buraco e tudo era escuro e compartimentado", resume a arquiteta. Os pontos a favor eram o tamanho da casa, 400 m², e o fato de ela ser totalmente retangular.

 

"Pensei em uma casa moderna, clara e de fácil manutenção. Fiz o projeto e os proprietários contrataram a empresa de engenharia Dutra Levi para fazer o cronograma e definir o orçamento", diz Fabiana, cujo trabalho começou por um levantamento completo da residência. "Eram três suítes e um espaço perdido - um terraço fechado sobre a laje da garagem. Como a família é de cinco pessoas, redistribui os espaços no piso superior e ainda aproveitei aquele terraço, que não tinha nada, para fazer uma sala de ginástica e um home theater para os meninos", descreve.

 

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Fabiana pensou em tudo, desde abrir claraboias nos banheiros para aproveitar a luz natural até colocar placas de aquecimento solar e caixa de captação da água da chuva, aproveitada para regar os jardins. No piso inferior, onde as paredes também foram abaixo, novamente os espaços foram redistribuídos. A cozinha perdeu boa parte de sua metragem para que o grande salão que abriga vários ambientes fosse ampliado. A entrada ganhou um escritório, que, fechado de vidro, pode ser definido como um aquário. E a sala de jantar é integrada à cozinha gourmet, um pedido da proprietária.

 

"O que tentei amenizar, mas não resolver de todo, foram os desníveis. Pode ver que tem sempre uma escadinha ou um degrau. Isso foi uma opção arquitetônica da época. Essa casa é de 1958", aponta Fabiana. Com a modernização, a área social virou um grande salão com vários ambientes, divididos por móveis ou jogos de sofás. E tudo isso fica a um passo do estar externo, com área da churrasqueira, coberta de vidro, e deck da piscina. Do antigo quintal mal cuidado, sobrou um gramado com jardim e algumas árvores do pomar: um pé de romã, outro de amora, um de acerola e uma jabuticabeira, além do ipê rosa.

 

Os materiais são um capítulo à parte. O piso de madeira e o velho carpete deram lugar, na casa inteira, a placas de Solarium, um cimentício refratário e ecologicamente correto. Fabiana revestiu boa parte das paredes com pedra, inclusive no banheiro da suíte e na fachada; usou muito vidro e limitou a madeira a um painel sob a escada. Ela mesma desenhou a marcenaria, executada pela AngeloArte. A estante de freijó vazada e com nichos de vários tamanhos começa no escritório, atravessa a sala e se estende até a fronteira com a área da piscina. Para o home, escolheu tons de cinza e azul e posicionou estrategicamente uma poltrona Charles Eames em um dos recantos do estar. Para a sala de jantar, escolheu mesa de laca baunilha da Micasa. As cadeiras Cantu, de Sergio Rodrigues, já pertenciam à família e a arquiteta só mandou trocar o revestimento.

 

Um pequeno degrau separa a sala de jantar do estar

 

 

Em torno da mesa perto da churrasqueira, as cadeiras

Vegetal, de Ronan e Erwan Bouroullec