Por um bom uso

Ana Gabriela Verotti - O Estado de S.Paulo

O banheiro da casa é um ótimo lugar para por em prática novos hábitos de consumo de água

Um dos banheiros na parte térrea do sobrado da arquiteta Alice Martins. O sistema que reutiliza a água da chuva foi instalado durante a reforma da casa

Um dos banheiros na parte térrea do sobrado da arquiteta Alice Martins. O sistema que reutiliza a água da chuva foi instalado durante a reforma da casa Foto: Zeca Wittner/Estadão

Em tempos de falta de chuva, economizar água é regra – ou deveria ser. Pode parecer difícil mudar antigos hábitos, mas há uma série de pequenas adaptações que podem ajudar a reduzir o consumo doméstico. Um dos cômodos que podem dar boas-vindas a essas modificações é o banheiro. 

Uma das mudanças possíveis é a troca de descargas convencionais pelas do tipo dual flush, que possuem quantidades diferentes de água, normalmente 3 l e 6 l, conforme a necessidade de uso, ou bacias VDR, de “volume de descarga reduzido”, que gastam 6 l. As descargas mais usadas atualmente gastam entre 9 l e 12 l a cada vez que são acionadas e as mais antigas chegam a despejar até 15 l de água de uma vez. 

De acordo com o engenheiro Ricardo Chahin, gestor do Programa de Uso Racional da Água (Pura) da Sabesp, para economizar água, é muito importante conhecer seu consumo. “O primeiro passo é comparar o gasto de água com a ocupação do imóvel, para poder dimensionar o potencial de redução de consumo que pode ocorrer”, diz.

A proposta do Pura é conscientizar a população quanto ao uso e desperdício de água – pelo telefone 195 é possível agendar palestras sobre o tema para grupos. O programa também incentiva o uso de equipamentos economizadores de água que estejam de acordo com o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), que avalia periodicamente as louças e os metais sanitários e relaciona os produtores que seguem as normas estabelecidas.

O preço dos dispositivos não é considerado obstáculo para especialistas. “Os valores dos equipamentos convencionais e dos economizadores acabam sendo muito parecidos”, completa Chahin. 

O diretor do Departamento de Manutenção e Operação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Guarulhos, Marco Aurélio Cardoso Carvalho, concorda: “Os reguladores de vazão de torneira, por exemplo, custam em torno de R$ 30 e diminuem em 30% o consumo de água. Não é um preço abusivo para o benefício que vai trazer, que é justamente deixar de jogar água no ralo”.

Na prática

O casal Lidia e Jemusu Yamana optou por trocar os três chuveiros de seu apartamento, que gastavam 24 l por minuto cada, por novos modelos que gastam 12 l. “É o mesmo princípio da torneira que tem arejador e a impressão que você tem é de que tem água em abundância. Lava tanto quanto a torneira normal, só que com economia”, explica Yamana.

Foi durante a reforma de sua casa que a arquiteta Alice Martins implantou um sistema de reúso de água de chuva que é usado também nos banheiros do térreo do sobrado. “Fiz uma cisterna embaixo do deck e um encanamento específico para os banheiros. O sistema é simples, precisa de canos, filtros e caixa d’água, além do pressurizador”, conta. A água também é usada para lavar o quintal e molhar o jardim.

“O custo de implementação de um projeto de reutilização de água de chuva não é baixo, mas você percebe a economia conforme o tempo”, diz o engenheiro hidráulico Edson Uema, que fez projetos parecidos em fábricas. Carlos Tonezzer, arquiteto do escritório PrimaMatéria, que também atua nessa área, diz que a recuperação da água da chuva pode salvar até 30% de água consumida no imóvel. 

Soluções simples para economizar

Outros equipamentos economizadores de água que podem ser usados em casa são arejadores de torneira, válvulas de redução em chuveiros e torneiras com temporizador. “São medidas simples de custo irrisório que têm um retorno do investimento de 3, 4 meses”, explica Diogo Fonseca, diretor comercial da empresa Sharewater, que oferece soluções para racionalização do uso da água. Ele também aconselha o monitoramento do consumo com a instalação de medidores, o que pode ajudar a observar picos de uso de água e até a descobrir vazamentos, em caso de vazão noturna, por exemplo.