Pense em cores para turbinar a decoração

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Das paredes aos móveis, confira o colorido vibrante deste apartamento em Copacabana

Paredes, móveis, almofadas: nada escapou ao esquema cromático imaginado pelo arquiteto Chicô Gouvêa para este apartamento em Copacabana

Paredes, móveis, almofadas: nada escapou ao esquema cromático imaginado pelo arquiteto Chicô Gouvêa para este apartamento em Copacabana Foto: André Nazareth

A receita é simples. Mas o resultado pode surpreender. E muito. Pintar as paredes da casa é uma solução rápida, econômica e reversível que pode trazer um grande impacto na renovação de qualquer ambiente. Sobretudo quando a ousadia prevalece e duas ou mais cores passam a participar ativamente da composição de um determinado espaço. 

Você pode, por exemplo, optar por colorir uma parede por completo ou redesenhá-la, espacialmente, a partir de um ou mais tons. Pode produzir um forte contraste ou investir em uma transição mais suave, com base em cores complementares. Carregar nos tons ou, simplesmente, dar um contraponto ao branco total por meio de uma parede pintada ou revestida de tijolo, concreto ou madeira. 

Desde sempre fascinado pelas cores, o arquiteto carioca Chicô Gouvêa (chicogouvea.com.br) não poupou pinceladas no projeto deste confortável apartamento, de 300 m², situado na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. Lar de uma mulher madura, que vive sozinha e costuma ser muito segura de suas escolhas.

Das paredes, passando pelas obras de arte, móveis e até almofadas, nada escapou do intrincado esquema cromático imaginado pelo arquiteto, no qual todos os elementos parecem ter estabelecido um acordo tácito entre si. Construída com base em contrastes e sobreposições de cores, trata-se de uma decoração que preserva um ritmo coerente, revelando-se original em determinados momentos, refinada em outros. Mas sempre expressiva.

“As pessoas tendem a achar que as paredes brancas são ideais para exibir e realçar móveis e quadros. Mas se esquecem que determinadas cores também podem fazer muito bem esse papel”, afirma Gouvêa que, por meio das cores, se empenhou em imprimir a este trabalho uma atmosfera mais doméstica, e não propriamente a de uma galeria impessoal e monocromática. <IP9,0,0>

No living, por exemplo, as cores estão presentes em todos os cantos: nas colunas e nos pilares – afinal, trata-se de um edifício construído na década de 1960 –, nos móveis, nos acessórios e, claro, nas paredes, que apresentam cores em contraposição. 

“De um lado, elas ganharam uma tonalidade concentrada de laranja e um sofá cinza para receber obras de Gonçalo Ivo e Rubens Gerchman. De outro, parede acinzentada e móvel com capa alaranjada, em contraponto ao ‘geometrismo’ acentuado e aos azuis intensos da obra de Ianelli”, explica o arquiteto.

Parte das paredes recebeu ainda revestimento de madeira cumaru, para imprimir uma textura radicalmente nova ao espaço. Sobre o piso, a opção levou em conta a proximidade do mar: porcelanato imitando cimento, que, além de mais adequado às condições locais, conferiu ao ambiente uma neutralidade necessária – além de uma atmosfera despojada, na medida. 

Imediatamente anexa, a sala de jantar ganhou móveis de madeira cumaru e ipê, desenhados pelo estúdio do arquiteto, além de uma locação especial, sobre o aparador, para acolher mais uma obra de um dos artistas favoritos da moradora, Luiz Áquila.

“Esta é uma morada brasileira. Não segue modismos, mas é atual porque traz nossas artistas, nossa luz e, sobretudo, nossas cores”, sintetiza Chicô.

ANDRÉ NAZARETH
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