Paz na Bahia

Jennifer Gonzales - O Estado de S.Paulo

Na casa em Trancoso, holandês se refaz da correria diária

A mesa na varanda - a maior área da casa, com vista para a mata nativa. Foto: Clio Luconi/Divulgação   O paraíso terrestre do holandês Edmond van Wijngaarden chama-se Brasil. Depois de viver na Bélgica, França e Inglaterra por mais de duas décadas, o economista de 40 anos aportou em São Paulo e encontrou o que não esperava. "Senti pela primeira vez ter achado meu lugar", recorda. "A cultura aqui é diferente, as pessoas se interessam pelo outro. Na Europa, elas estão tão focadas em ganhar dinheiro, que não há espaço para viver coisas simples, como bater papo."O nativo de Haia sentiu-se tão à vontade no País que os seis meses de estadia passaram voando (ele veio em 1998 para um projeto com um banco de investimentos). De volta a Bruxelas, onde começou a trabalhar como gerente de riscos na American Express, tinha a cabeça em outro lugar. "Ficava pensando numa forma de mudar para cá", lembra. Em 2001 realizou seu desejo quando um amigo distribuidor de móveis na Alemanha o convidou para ser seu fornecedor. Fez um curso de design em Roterdã, abriu a empresa Velho Brasil e passou a exportar móveis de madeira de demolição com design contemporâneo. "Hoje atendo Estados Unidos, França e Espanha, entre outros, além do mercado doméstico", diz ele, que vive no Itaim e tem uma casa em Trancoso.O endereço na praia é onde recarrega as baterias do corre-corre paulistano. Em 2005 visitou a Bahia e ficou encantado com a natureza, o clima, as cores. No ano seguinte, comprou o imóvel de 160 m². "Adoro o calor e vou para lá cinco vezes por ano, em média." A casa fica em um condomínio erguido sobre um penhasco, de frente para o mar, e, adquirida já pronta, sofreu mudanças na distribuição interna, em projeto do arquiteto Toninho Noronha. A construção tinha duas suítes (uma de hóspedes), mas, com a chegada do primeiro filho (Edmond casou-se com a carioca Andréia), a sala de refeições foi transformada em quarto de bebê, com janelas e portas de acesso à varanda de 32 m² e à suíte do casal."Meus pais vêm para cá todos os anos no verão, por isso queria mais um dormitório", diz Edmond, que, com Noronha, teve a ideia de colocar a mesa de oito lugares na varanda. Com vista para a exuberante mata nativa, essa área é delimitada por uma sacada de fibras naturais, como folhas de bananeira e de coco (artesão Tonhão, orçamento sob consulta). A cozinha, que dá para a varanda, tem armários embutidos de peroba de demolição desenhados pelo arquiteto (execução da Velho Brasil, R$ 19,7 mil).A casa revela a relação emocional do empresário com o Brasil. "A não ser os queijos, que trago da Holanda, todo o resto é brasileiro", brinca. A maioria dos móveis foi desenvolvida por ele, como o armário para TV (Velho Brasil, por R$ 4 mil) e a mesa de centro de peroba com acabamento lavado (na mesma loja, por R$ 2.350) do living. Tons alegres vêm dos acessórios, entre eles o quadro com imagens de baianas pintadas em fundo de madeira, adquirido em Salvador, e a estátua de papel machê no aparador da entrada. Na suíte de casal, a cama com cabeceira em pátina branca e o mosquiteiro de algodão criam um ar romântico. "Esse lugar é inspirador, aqui tenho uma visão global do mundo", diz Edmond.