Para melhor expor o seu acervo pessoal

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Quadros, gravuras, fotografias. Saiba como distribuí-los em uma única parede para destacar a sua coleção

Parede com composição de quadros organizada pelo arquiteto Maurício Nóbrega

Parede com composição de quadros organizada pelo arquiteto Maurício Nóbrega Foto: André Nazareth

Poucas coisas são mais certeiras para conferir estilo e identidade a um ambiente do que uma parede repleta de quadros, fotografias e gravuras. Porém, tão importante quanto a qualidade dos trabalhos, a forma de exposição pode fazer toda a diferença. Tomada como base, uma única parede pode produzir resultados bastante diferenciados, a depender do tipo de composição adotada. Para acertar na hora da montagem, acompanhe nosso roteiro: 

Decoração. A cor da parede que vai servir de suporte à coleção deve ser considerada na escolha das molduras. Superfícies mais escuras pedem molduras mais claras e vice-versa. Caso a ideia seja um visual mais neutro, madeira e metal são os mais indicados. A presença de móveis de maior porte como sofás, mesas de jantar e camas deve igualmente ser levada em conta. No caso, o ideal é centralizar as peças com base no elemento, para evitar que dois pontos de destaque concorram no ambiente.

Proporção. O ideal é que grandes quadros e fotografias sejam fixados em paredes maiores para que, vistos de longe, o observador tenha uma visão geral da obra. Já os menores devem ser colocados em locais que permitam a aproximação para que seus detalhes sejam examinados de perto. Em paredes grandes, considere fazer uma composição de quadros pequenos, que juntos possam formar um só desenho.

Alinhamento. Para compartilhar uma parede, os quadros não precisam necessariamente ter o mesmo tamanho. Agrupados, eles podem formar uma figura geométrica maior, seja um retângulo ou quadrado. O alinhamento pode se dar apenas na parte inferior, superior ou ter um centro em comum. 

Altura e distância. Procure posicionar o centro da imagem – ou o eixo da composição, caso esteja trabalhando com mais de uma peça – na altura dos olhos do observador. “A estatura média do brasileiro se situa entre 1,70 e 1,75 m. Centralizar o eixo da composição a esta altura do piso evita que se tenha de levantar ou abaixar a cabeça para visualizá-la”, explica Kevin Cardoso, consultor da Urban Arts (urbanarts.com.br). Em relação a móveis como sofás e camas, a altura recomendada é de 25 cm acima do encosto ou da cabeceira. Por fim, considere a altura das portas – em nenhuma hipótese as peças devem estar acima delas. 

Iluminação. Além da iluminação geral do ambiente, o ideal é que a parede em questão disponha de fachos de luz direcionados para realçar os trabalhos. A fonte luminosa pode ser proveniente do forro, por meio de peças embutidas, ou de spots agrupados em trilhos, fixados no teto. Caso opte por esse tipo de iluminação, para evitar distorções, não esqueça de providenciar molduras com vidro anti-reflexo. 

Composição assimétrica de fotos sobre parede

Composição assimétrica de fotos sobre parede Foto: Urban Arts

Parede expõe obras que têm paisagem como tema

Parede expõe obras que têm paisagem como tema Foto: Urban Arts

Triptíco em parede a partir de fotos preto e branco

Triptíco em parede a partir de fotos preto e branco Foto: Urban Arts

Sala decorada com telas organizadas a partir de um eixo central

Sala decorada com telas organizadas a partir de um eixo central Foto: Urban Arts

E SE NÃO DER PARA FURAR A PAREDE?

A maneira mais segura de fixar quadros e molduras é mesmo furando a parede, com a instalação de buchas e parafusos. Ocorre, no entanto, que nem sempre isso é possível. Determinadas paredes, como as de concreto, não são fáceis de furar. Outras, como as de gesso, não oferecem segurança após perfuradas. Nesses casos, outras opções devem ser consideradas. Por vezes, é possível apenas apoiar o quadro em um móvel, ou mesmo sobre uma canaleta de madeira ou metal. O mercado oferece uma série de adesivos, disponíveis na forma de fitas ou pontos de contato, que podem dar suporte a peças mais leves e pequenas. 

“O inconveniente é que, com o passar do tempo, a fita pode acabar ressecando, por ficar exposta às variações de temperatura e umidade, acarretando a queda do quadro”, alerta Kevin Cardoso, consultor da Urban Arts. Já as canaletas, segundo ele, além de funcionar como recurso decorativo, podem poupar a parede de muitas furações. 

“Quando devidamente instaladas, elas aguentam bastante peso, sendo indicadas para obras de qualquer dimensão. Além disso, elas podem ser fixadas nos mais diversos ambientes. Da sala ao quarto, passando pelo hall”, indica.

Quarto com gravuras apoiadas em canaleta fixa na parede. Projeto Barbara Morato

Quarto com gravuras apoiadas em canaleta fixa na parede. Projeto Barbara Morato Foto: Talita Arruda