Para ficar à vontade

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Descontração e leveza no projeto de uma casa de praia em Florianópolis localizada a menos de 10m do mar

Vista da suíte de hóspedes da casa no anexo da piscina

Vista da suíte de hóspedes da casa no anexo da piscina Foto: MARIANA BORO/DIVULGAÇÃO

O desejo da proprietária de utilizar um tom específico de verde como base da decoração serviu de ponto de partida para o arquiteto Marcelo Salum elaborar os interiores desta residência de 322 m², em Rio Tavares, Florianópolis. Acessível por uma trilha exclusiva, a praia fica a menos de 10m de sua entrada. Já a presença do mar se faz sentir em todos seus recantos.

“Ela me pediu um projeto despojado que levasse em consideração, além da cor, seu acervo de móveis e objetos, bem como a localização privilegiada da casa”, conta o arquiteto, que conduziu a reforma do imóvel - que leva a assinatura da arquiteta Marcia Barbieri - no prazo de 10 meses. Um trabalho desenvolvido em parceria com sua então sócia, Flávia Guglielmi.

“Demos preferência a materiais mais naturais, com texturas ressaltadas e tonalidades afinadas com o verde e o azul”. Assim, na sala, o coração da casa, o tom sugerido foi tomado como base para a coordenação de tecidos, adornos e revestimentos. Já nos quartos, o azul toma a cena. “Casa de praia pede leveza, frescor, movimento”, acredita Salum, que privilegiou no projeto as áreas voltadas para o lazer de seus dois moradores: a proprietária e seu filho de 7 anos.

“Eles moram sozinhos, mas raramente a casa fica vazia. Ela adora receber, tanto no inverno, ao redor da lareira, como no verão, em torno da piscina. Já o filho vive cercado de amiguinhos na sua brinquedoteca e na sua cabaninha de madeira”. Para fazer frente a este cotidiano agitado, o arquiteto investiu em integração máxima. A sala de estar se conecta à cozinha e à brinquedoteca. Os três ambientes, por sua vez, foram conectados a uma ampla varanda que se interliga diretamente à piscina.

No segundo pavimento, ficam as suítes da proprietária e do filho, enquanto um anexo, no térreo, único espaço construído durante a reforma - com projeto assinado pela arquiteta pela Cristina Lebarbenchon - abriga suíte de hóspedes e academia. Generosa, a iluminação natural se espalha por toda casa, uma vez que todos os ambientes são dotados de amplas aberturas. Para controlar a insolação, brises foram instalados em pontos estratégico da fachada, enquanto panos de vidro receberam persianas tipo rolô.

“Gosto de casa que deixe seus moradores à vontade. Onde se possa viver de forma sofisticada, mas sem frescuras. Casa é pra ser usada, vivida e, nesse sentido, me sinto bastante satisfeito com este projeto. Seus moradores não cansam de me dizer que são muito felizes vivendo lá. Como arquiteto devo dizer que esta é minha maior satisfação”, conclui.

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MELHOR PREVENIR 

Conservação da casa de praia começa na fase do projeto, mas deve se prolongar por toda a vida útil do imóvel

Prevenir é melhor do que remediar. Ao menos em se tratando de casas no litoral. Além do emprego de materiais adequados, determinadas decisões iniciais, são fundamentais para evitar problemas futuros e garantir longas temporadas sem dores de cabeça. Dispor de ventilação e insolação adequadas, evitar odores de mofo e umidade, além da corrosão acentuada de metais ferrosos são condições determinadas por escolhas que devem ocorrer ainda na fase do projeto. Idealmente, toda casa de praia deveria ser implantado acima do solo para evitar o risco de infiltrações e, sobretudo, priorizar a ventilação cruzada.

Ou, em outras palavras, ser projetada com janelas e portas posicionadas em paredes opostas, sempre no sentido predominante dos ventos, promovendo a entrada e saída do ar. "O procedimento ajuda na higienização e ainda a diminuir a temperatura dos ambientes", argumenta o arquiteto Otto Felix. Já na hora de decorar, ele aconselha manter os móveis afastados da parede e, caso isso não seja possível, ao menos instalar placas de isopor no fundo dos armários para evitar a proliferação de fungos. Além disso, é preciso ficar atento também a escolha de todos os itens empregados nos interiores. É importante optar por peças que não enferrujem, por tecidos laváveis e, sempre que possível, sintéticos ou impermeabilizados.

“Quanto mais orgânico maiores as chances de mofo”, afirma a arquiteta Juliana Pippi, que assina diversas casas no litoral catarinense. Segundo ela, ainda que todos esses cuidados tenham sido tomados, manutenções periódicas são fundamentais para garantir condições de conforto. “Todas as semanas é conveniente abrir portas, janelas e armários e, quando a casa estiver fechada, móveis e eletrônicos devem ficar protegidos com uma capa, para aumentar sua durabilidade. /MARCELO LIMA