O que ficou de 2020

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Não sabemos por quanto tempo ainda ficaremos – mais, ou menos – confinados. Dentro de nossas casas, porém, sabemos que muita coisa mudou. E que muitas dessas mudanças vieram para ficar

Final de ano: tempo de repensar a casa

Final de ano: tempo de repensar a casa Foto: Zeca Wittner/Estadão

Estamos a menos de duas semanas do final do ano. Do lado de fora, ainda não podemos antever, com precisão, o que virá. Nem mesmo por quanto tempo ainda ficaremos – mais, ou menos – confinados. Dentro de nossas casas, porém, sabemos que muita coisa mudou. E que muitas dessas mudanças vieram para ficar.

No aguardo da tão sonhada vacina, chegou a hora de repensarmos a vida que desejamos ter no mundo pós-pandemia. Bem como o papel que o morar pode desempenhar nisso. Não foi nada fácil, mas, após meses isolados estamos mais seguros de nossas escolhas. 

De uma casa mais representativa, vista, em muitos casos, apenas como local de passagem, o confinamento nos fez experimentar um modelo de morar mais funcional e dinâmico. Uma casa na qual o bem-estar vem em primeiro lugar, cada centímetro conta, e, em meio a muitas plantas e luz natural, não há espaço para o desperdício. 

Para muitos, 2021 será o ano em que o sonho de voltar a morar em uma casa, após anos vivendo em um apartamento, finalmente vai se realizar. Para outros, pode significar o abandono definitivo da vida urbana, rumo a uma mudança para o campo ou o litoral. 

Para a grande maioria, porém, uma nova forma de viver os espaços domésticos certamente vai se impor. O que, sem dúvida, vai exigir mais do que as adaptações de última hora produzidas pela urgência do trabalho remoto. 

Ainda que não saibamos até quando, para muitos, a implantação de um home office definitivo já entrou na lista de prioridades de ano-novo. Mesmo que esse divida espaço com outros ambientes, como salas e quartos, que, por sua vez, deverão ser redesenhados para permitir a privacidade e o isolamento por meio, por exemplo, de painéis, cortinas ou paredes deslizantes.

Da mesma forma, quem vive em plantas abertas, com ambientes integrados, muito provavelmente vai optar por soluções mais flexíveis. Por novas configurações, enfim, que permitam que a família possa se reunir, mas que cada um de seus membros possa também desfrutar de momentos de refúgio quando necessário.

De forma indireta, a prática de exercícios físicos em casa ampliou nossa percepção sobre o impacto que o contato com a natureza pode ter sobre o nosso bem-estar. O que promete colocar a jardinagem, praticada em varandas e quintais, no centro das preocupações. Por fim, o isolamento produziu um renovado interesse pela autossuficiência. Pelo cultivo de hortas domésticas, pela compostagem do lixo e até pela produção de energia por meio de fontes renováveis, como a luz solar.

Ainda não sabemos ao certo como será o mundo pós-pandemia. Mas, ao menos nos domínios da casa, podemos estar certos de que o futuro já começou. Boas festas!