O primo bom do isopor

Marcelo lima, marcelo.lima.antena@estadao.com.br - O Estado de S.Paulo

Aparência é a mesma, mas o polipropileno expandido é ecologicamente correto e já atrai designers e fabricantes

Por fora, a aparência granulada e a resistência à compressão do material - perceptível ao toque - remetem ao isopor, marca registrada do poliestireno expandido, uma resina empregada por décadas na confecção de embalagens. Mas as semelhanças param por aí. Inodoro, antialérgico e 100% reciclável, pouco no desempenho e na constituição química desse tipo de polipropileno remete ao primo mais próximo, principalmente em se tratando de seu impacto ambiental. Uma condição mais do que bem-vinda e que já começa a atrair a atenção de designers e fabricantes.Utilizado sobretudo na indústria automotiva, o polipropileno expandido é uma espuma também obtida por moldagem a calor e alta pressão, a partir de grânulos de até 6 mm de diâmetro. Formado por uma intrincada cadeia de cápsulas de ar, o material surpreende pela alta resistência em comparação ao reduzido peso, além de possuir uma densidade variável, que varia do compacto da madeira à maciez da esponja - que, depois de comprimida, retoma o formato original. Característica que chamou a atenção da Rowenta, tradicional fabricante de aspiradores francesa e que acaba de colocar no mercado o aspirador de pó Shock Absorber, o primeiro com carcaça produzida inteiramente desse material, com inéditos 3,2 kg (cerca da metade do peso de um modelo de plástico), além de um atrativo exclusivo: a resistência ao choque cinco vezes superior à tradicional, garantindo a circulação segura pelos interiores domésticos. Robert Meyrignac, gerente de produto da Rowenta, detalha outros desafios solucionados pelos projetistas: "Para preservar o mesmo nível de rendimento do motor, o sistema de filtração teve de ser redesenhado. E para eliminar qualquer risco de contato, todos os componentes elétricos receberam isolamento suplementar".Tão inusitado quanto seu peso, o equipamento surpreende também pela textura externa: ligeiramente granulosa, com uma sensação de toque próxima à do tecido em estado bruto, e que em nada remete ao acabamento polido das superfícies plásticas convencionais. Não por acaso, o jeans é a imagem imediatamente associada ao visual do aparelho, que pode ser encontrado em duas tonalidades, azul-claro e índigo, reforçando a imagem jovem do produto, e, por que não, da própria matéria-prima em sua versão expandida. "O material cai como uma luva dentro de um estilo de vida cada vez mais nômade, sujeito a espaços reduzidos e mudanças constantes, dentro e fora da casa", afirma Peter Marigold, designer londrino da nova geração, que integra a equipe de criação da inglesa Movisi - empresa que tem como alvo os jovens, em especial os profissionais urbanos, e que acaba de lançar uma linha completa de móveis e acessórios de polipropileno. Entre as opções à venda, o Q Couch, do holandês Frederik Van Heereveld, tem assento modulável que pode originar de poltrona a sofá (a depender da quantidade de componentes dispostos) e que dispensa adesivos e peças para fixação. E ainda a Play, estante ou divisória de ambientes, desenhada por A. Phelouzat, de inúmeras possibilidades de montagem, a partir de três componentes básicos, montados também por encaixe. "A relação peso e resistência oferecida pelo polipropileno é insuperável", argumenta Marigold, que encontrou nesse material condições ideais de desenvolvimento para um dos seus mais ousados projetos: a Make Shift, estante regulável que faz bom uso dessa propriedade, ajustando-se, por pressão, a diversos tamanhos de vãos, graças a um sistema de encaixe que mantém a estante firmemente posicionada, mesmo quando suspensa. E tudo isso dispensando acabamentos. "O que não é pouca coisa", pontua o designer.