O homem e a natureza: os focos da criação do designer Dror Benshetrit

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Arquiteto apresenta e fala sobre o seu mais novo trabalho no Brasil

O arquiteto e designer Dror Benshetrit

O arquiteto e designer Dror Benshetrit Foto: Erez Sabag

Formado pela vanguardista Design Academy Eindhoven, na Holanda, Dror Benshetrit vive e trabalha em Nova York, onde fundou seu estúdio em 2002. Com um olhar inquieto e um apetite voraz por soluções nada convencionais, ele tem rodado o mundo à caça de oportunidades de exercitar sua arquitetura conceitual, onde o humano e a natureza ensaiam uma coexistência outrora possível. Tal como ele propõe no novo showroom da marca gaúcha Florense, que abre suas portas no mês que vem em São Paulo, e leva a assinatura do arquiteto e designer. “Toda a loja estará cercada de verde, da rica vegetação brasileira”, conforme ele adiantou nesta entrevista exclusiva ao Casa, direto de Nova York.

Mais do que obedecer a um programa específico, parece que é sempre em torno de uma ideia central que gravitam todos os seus projetos. Explique sua metodologia de trabalho.

Sim. Isso está super correto. Me agrada que um ideal conduza a prática do design. A ideia de criar algo forte, conceitual está presente em tudo que faço, e não só em relação à arquitetura e suas questões, mas em qualquer coisa que crio.  Eu costumo dizer que é o conceito que amarra tudo. E que é trabalhando em torno dele que o projeto vai se manifestar de forma semelhante ao inicialmente intencionado. Por outro lado, sei que depende muito de cada trabalho, mas devo admitir que minha principal motivação é sempre o humano, ou está baseada nas experiências humanas.

A poltrona Peacock, da Cappellini, criada pelo designer Dror Benshetrit

A poltrona Peacock, da Cappellini, criada pelo designer Dror Benshetrit Foto: Studio Dror

Como o design de móveis e objetos se relaciona com essas ideias?

Vou te dar um exemplo desta interface, tomando por base o desenho de um de meus móveis, a poltrona Peacock (pavão, em inglês) que desenvolvi para a Cappellini italiana. O ponto inicial foi uma relação entre dois sentimentos opostos, atração e defesa, ou seja, vulnerabilidade. Quando estamos vulneráveis, tendemos a nos desviar de um objeto ou a fazer o oposto, nos aproximamos e nos permitimos ficar vulneráveis. Foi essa emoção humana que procurei traduzir na Peacock, porque o pavão abre as asas para te atrair, mas também sinaliza que quer se defender. É como se ele dissesse: sou um animal grande e lindo, portanto, chegue mais perto. Mas também tome cuidado, porque eu posso te atacar.

Explique o conceito que você desenvolveu para a loja da Florense, em São Paulo.

A Florense é uma empresa ligada à ideia de cozinha. E, para mim, é na cozinha que a mágica da casa acontece. É onde os ingredientes entram e maravilhosos pratos saem. Creio ser responsabilidade de uma empresa como a Florense reverenciar a comida brasileira, que vem de plantas e vegetais tão diferentes. Ervas e frutos permanentemente preparados nas cozinhas do Brasil, destacando a beleza desta culinária. Foi este o meu ponto de partida.

 

O showroom da Florense, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, com inauguração prevista para agosto

O showroom da Florense, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, com inauguração prevista para agosto Foto: Studio Dror

House Plant, conjunto residencial em construção em Tel Aviv, Israel, onde natureza e arquitetura se entrelaçam

House Plant, conjunto residencial em construção em Tel Aviv, Israel, onde natureza e arquitetura se entrelaçam Foto: Studio Dror