Novo layout em dois meses e meio

Bete Hoppe - O Estado de S.Paulo

Grandes aberturas e materiais simples. Eis a fórmula de Antônio Ferreira Júnior para renovar seu apartamento sem perda de tempo

O olhar tarimbado logo vislumbrou a opção de abrir quadrados no bloco retangular de linhas puras e pé-direito alto. Sim, bastou ao arquiteto Antônio Ferreira Júnior pisar no apartamento de 180 m², em Higienópolis, para saber o que mudar. Fator determinante para que fechasse a compra, há cinco anos, e iniciasse as obras no dia seguinte. "O excesso de paredes e portas logo foram parar numa caçamba em frente ao prédio", diz Júnior, como prefere ser chamado. Dois meses e meio depois, a reforma estava concluída.Parte do segredo de tal façanha se deve à simplicidade e à escolha dos materiais: porcelanato Nero Plus (de 50 cm x 50 cm, da Eliane, R$ 84,30 o m², na C&C) no piso das áreas molhadas, granito São Gabriel (de 40 cm x 40 cm, R$ 140 o m², na Demargran Mármores e Granitos) nas bancadas, ambos pretos, e tinta branca nas paredes, em versão epóxi (galão de 3,6 l da Suvinil, R$ 98,90, na C&C) nos banheiros. "É fácil de limpar. Além disso, detesto azulejo", admite. Nos ambientes, o escuro do piso e das bancadas entre a alvenaria e os armários claros formam uma espécie de tabuleiro de xadrez, que aceita apenas três cores em ambientes distintos - na cozinha, o amarelo, no frontão da pia; no quarto do dono, o cinza-esverdeado, na parede da cabeceira; e na suíte de hóspedes, em disposição idêntica, o verde. O arquiteto ainda fez questão de criar um banheiro privativo para as visitas. "Meus parentes vêm com freqüência para São Paulo e a privacidade os deixa à vontade", conta esse mato-grossense de Três Lagoas. Outro detalhe que ajuda a entender a rapidez da reforma: poucas intervenções estruturais. Para criar a suíte, por exemplo, bastou fechar a dependência de empregada e abri-la para o dormitório. Caberia questionar por que o arquiteto não dividiu o amplo banheiro original ao meio, ele que está centralizado entre os quartos. "Gosto de banheirão; sou vaidoso", admite. Os tacos de ipê, matéria-prima italiana que se escondia sob o carpete, foram lixados e hoje brilham nas áreas íntima e social.Os (sonhados) vãos quadrados integram a ala de convivência. Para tanto, paredes caíram, levando portas a reboque, como na entrada, onde restou apenas uma parede do espaço "... que mais parecia um bunker". Hoje, pintada de chocolate, faz às vezes de fundo para um enorme espelho de bordas curvas, que acompanha quem se movimenta entre a cozinha e o living. No lado voltado para a sala de jantar, o chocolate também emoldura o grande óleo sobre tela vermelho de Andery Neto (a partir de R$ 5 mil, na Galeria Mônica Filgueiras), contrapondo-se ao amarelo das cadeiras italianas ao redor da mesa de jantar de jacarandá (cerca de R$ 7.900, na Filter).As únicas portas remanescentes, que dão acesso às áreas de serviço e íntima, têm layout moderno - de estrutura de ferro e vidro temperado com aplicação de serigrafia. Na porta da área íntima, por exemplo, a altura foi modificada e ela agora alcança a viga. Não fosse essa barreira, o limite das aberturas seria mesmo o teto, que voltou aos 3,15 m originais com a remoção do rebaixo de gesso. Anos 60A decoração das salas revela a paixão do proprietário pelo design dos anos 60. Tanto é verdade que ele a transformou em negócio, criando a Filter, loja especializada no mobiliário dessa época. "É a minha referência, nasci nessa década", diz. Entre as muitas peças da loja em seu apê, destacam-se o bufê, a luminária de pedestal e as poltronas revestidas com tecido rústico, que convivem em harmonia com as cadeiras Militar, em branco e preto, da Micasa (fora de linha), e a transparente Victoria Ghost, de Philippe Starck (R$ 1.097, na Kartell). Contudo, o móvel que mais chama a atenção é a radiovitrola, logo à entrada da copa, herança de família ainda em atividade. "Em termos de desenho, foi a década mais revolucionária", resume.