Na terra do vidro

Olívia Fraga - O Estado de S.Paulo

Em Smaland, marcas se destacam pela produção artesanal e pelo design

Há um reino transparente e brilhante no sul da Suécia, mais precisamente em Smaland ("terra pequena"). Erguido no século 18, ele tem se fortalecido ao longo dos anos e ousa reivindicar para si o primeiro lugar da produção artística da Escandinávia, competindo com o mobiliário ali produzido - afinal, Värnamo, cidade do afamado designer Bruno Mathsson, também fica em Smaland.

 

A produção vidreira sempre foi tão expressiva que originou bairros, hoje elevados a municípios da província de Smaland. A região, de longa faixa litorânea e ilhas, recebe todo ano mais de 1 milhão de turistas ansiosos por conhecer as fábricas onde se sopra e se molda o vidro - que parece mais fluido, quase molhado, em comparação ao maciço Murano italiano.

A diversidade de estilos - do funcional ao assumidamente artístico - e técnicas está ali bem representada. Mas todo reino tem sua rainha e, em Smaland, ela responde pela marca Kosta Boda. Criada sob o nome de Kosta, em 1742, sua produção artesanal sempre foi marcada pelo viés experimental. No vilarejo vizinho funcionava Boda; em 1990, Kosta e Boda se tornaram um único negócio. Um ano depois, porém, outra marca foi incorporada à empresa: a Orrefors, que valoriza linhas delicadas. Lá, por exemplo, sobrevive a técnica "graal": o artista aprisiona imagens e padrões dentro do vidro, retrabalhando a peça no sopro ou no forno. Designers lendários, caso de Simon Gate e Edward Hald, já estiveram a serviço da marca - hoje peças de Lena Bergstrom, Lars Hellsten e Erika Lagerbielke disputam a atenção.

Outros destaques na produção vidreira de Smaland são Nybro, a única em que o processo de fabricação continua a ser 100% manual (inclusive os moldes) e Pukeberg, que produz copos, pratos, taças e outros objetos de mesa e até lâmpadas especiais.