Na selva urbana

REPORTAGEM: Julia Contier / PRODUÇÃO: Ângela Caçap - O Estado de S.Paulo

No jardim em transformação da paisagista Célia Alves, folhas e flores compõem uma paleta de cores

Uma alegre mistura de tons, formas e tamanhos compõe o jardim da paisagista Célia Alves, em sua casa no Pacaembu. Tendo como base a pintura em tons de rosa do muro, ela acrescentou flores e folhas - como pequenas pinceladas - que combinassem com sua paleta de cores favorita. Assim, entraram em cena o verde das folhas, o rosa, o azul e o branco das flores, até chegar à combinação perfeita (ou quase). "Meu jardim está sempre em transformação. Adoro descobrir novas espécies e mudar a paisagem de acordo com meu humor", confessa.

 

Na entrada da casa, o passo dos visitantes acompanha a disposição das placas de arenito sobre a grama. "A composição da pedra com a grama aumenta a permeabilidade do solo", ensina. "E a cor do arenito me encanta", rende-se. Os seixos graúdos dispostos no hall externo servem de base para uma escultura de cipó e fios de cobre - obra da própria Célia. Samambaias, primaveras e falsas-íris também garantem as boas-vindas.

 

Na morada da família, fica clara a intenção de evidenciar o verde. Todas as janelas dão para o jardim e os quadros vivos funcionam como grandes telas. A lateral da casa é enfeitada com calicarpas, espécie conhecida por crescer rapidamente e permitir podas. "Tive a preocupação de colocar plantas na lateral para trazer mais privacidade e dialogar com as árvores da rua."

 

Decorado pela própria paisagista, o imóvel de três andares funciona como se tivesse módulos separados. No térreo está a sala; no andar superior, os quartos dos quatro filhos e, no inferior, o quarto do casal e a área externa - ponto de encontro dos ambientes. Lá fica o jardim, a piscina e a edícula - que abriga o ateliê e o espaço gourmet.

 

Um deck de madeira ripada contorna a piscina e leva ao jardim. "Fixamos as placas para dar a impressão de que estão boiando", conta Célia. O resultado ficou tão bom que ela pretende aumentar o espaço com um espelho d’água na entrada. "O efeito à noite é lindo, a água reflete o verde e as luzes."

 

Definida a piscina, Célia estudou quais plantas comporiam o espaço para que todas entrassem em harmonia com a tuia-maçã, de 10 metros, que já estava no terreno. O tronco ganhou orquídeas e primaveras. Aparecem também vasos de terracota com jasmins-do-imperador e uma bacia com azulzinha. De todas, a de que Célia mais gosta é o jasmim e, por isso, o colocou em frente ao seu quarto: "O perfume adamascado lembra o Oriente; remete às minhas origens."

 

Para passear pelo jardim, o caminho de grama dá o toque final. Em volta da casa, foi colocado seixo rolado. "Gosto de acordar e pisar na pedra, me sinto perto da natureza", confessa. E é caminhando sobre elas que a artista, formada em Letras, chega a seu ateliê. Em meio às flores e folhas, ela consegue inspiração para criar um projeto de paisagismo, um cenário ou até mesmo o figurino de um espetáculo. Orgulhosa de seu espaço, justifica: "É uma área sombreada, afastada do barulho da casa e com vista para a piscina. É tranquilo e inspirador".