Na ponta do lápis

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Após tantos dias de isolamento, reformar deixou de ser um projeto no futuro para se transformar em prioridade para o aqui e agora. Adaptar a casa para os novos tempos porém, é tarefa que vai exigir foco e planejamento

Arte, design e artesanato ganham espaço na casa pós-pandemia. Na foto, luminária confeciconada com hastes de bambu pelo estúdio tailândes Kamaro'an

Arte, design e artesanato ganham espaço na casa pós-pandemia. Na foto, luminária confeciconada com hastes de bambu pelo estúdio tailândes Kamaro'an Foto: Kamaro'an Design Studio

A epidemia do novo coronavírus impactou todos os setores da sociedade. É de se esperar um crescimento negativo para o PIB brasileiro este ano e, assim como as empresas, as pessoas também tiveram de rever seus planos. Ainda assim, para muitos, hoje mais conscientes de suas necessidades após tantos dias de isolamento, reformar a casa deixou de ser um projeto no futuro para se transformar em prioridade para o aqui e agora. 

Tomada como real investimento no bem-estar, a própria decoração passou a ser vista com outros olhos. Cresce hoje o desejo por uma maior autonomia em relação ao mundo exterior. Por experiências reais, vividas no âmbito doméstico. Sejam elas o trabalho remoto, a prática de exercícios físicos, a meditação ou a jardinagem.

Todos sabem, no entanto, que o momento é de apertar os cintos e que adaptar a casa para os novos tempos é tarefa que vai exigir, mais do que nunca, foco e planejamento. É preciso colocar tudo na ponta do lápis, avaliar custos, checar alternativas. E, sobretudo, repensar nossos hábitos de consumo. 

Para começar, que tal considerar, por exemplo, comprar os móveis mais caros, como sofás e mesas, em outlets? A maioria das grandes marcas dispõe desses espaços de venda, oferecendo produtos de coleções passadas, ou peças com pequenos defeitos, muitas vezes imperceptíveis, com descontos que podem chegar a até 70%. Da mesma forma, por que não recuperar aquela cadeira antiga, esquecida em algum canto da casa, por meio da simples pintura em uma tonalidade vibrante? 

Campeão das transformações rápidas, colorir paredes é outro recurso econômico, facilmente reversível, mas sempre ao alcance da mão. E o mesmo ocorre com a iluminação. No lugar de um único lustre central, experimente, quando possível, espalhar vários pontos de luz em um mesmo ambiente, produzindo diferentes climas. Sua sala nunca mais será a mesma. 

Depois, compare preços, limite suas compras apenas ao essencial, mas procure ir além do óbvio. Capazes de nos inspirar e ricas de significados, peças de arte, design e artesanato podem até custar um pouco mais, mas merecem ser consideradas na composição de qualquer ambiente. 

Por fim, dentro de seu orçamento, compre apenas o que de melhor seu dinheiro puder comprar. Vale a pena aguardar um pouco e adquirir algo que pode durar mais – e proporcionar maior contentamento – do que optar por algo mais em conta, mas que não era o que você queria. E isso é especialmente válido para os revestimentos, porque, uma vez que você dispor todos os móveis sobre o piso do seu quarto, por certo não vai querer mexer nele tão cedo. 

Comprar menos e melhor é a regra de ouro para decorar em tempos de turbulência econômica. E, além do seu bolso, o planeta agradece.