Motivos florais ganham espaço nos móveis e objetos

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Temática é destaque nos lançamentos apresentados nas feiras internacionais de Milão e Paris

O tapete Eden Queen, de Marcel Wanders para a Moooi

O tapete Eden Queen, de Marcel Wanders para a Moooi Foto: Divulgação

Apresentada em abril, durante a Semana de Design de Milão, a série de tapetes ultrarrealistas da fabricante holandesa Moooi, feitos em uma impressora de última geração, impressionava pela intensidade de tons e riqueza de detalhes, inéditas para um tapete.

Mas, para além de toda sua performance tecnológica, uma das peças da coleção surpreendia por sua simplicidade, em contraposição direta a seu efeito plástico. Tratava-se de Eden Queen, tapete que leva a assinatura do holandês Marcel Wanders, pensado para ser usado também como tapeçaria, e que reproduzia, em alta definição, um arranjo de flores.

“Como qualquer flor, cada uma delas é diferente de todas as outras. Suas imperfeições fazem a singularidade do móvel”, pontuou o designer italiano Jacopo Foggini, que desenhou a cadeira Ella para a italiana Edra. Outro que, à semelhança de Wanders, foi buscar no universo das flores inspiração para suas criações. 

Assim como fez o novato Bilge Nur Saltik, designer turco que apresentou na Zona Lambrate, centro do design alternativo em Milão, três peças de vidro soprado exibindo texturas capazes de produzir feito óptico único. “Nos meus vasos, uma única flor pode se multiplicar em um buquê inteiro”, disse.

Prova de que a febre floral que consumiu Milão durante a primavera não respeitou fronteiras, a última edição da feira Maison & Objet, realizada no início do mês em Paris, também veio recheada de flores e arranjos. “Pense em adentrar um ambiente no qual chove. Só que, ao invés de gotas, o que você verá caindo são centenas de orquídeas”, resumiu Toshiyuki Inoko, designer à frente do teamLab, estúdio japonês responsável por um dos maiores sucessos da temporada: a instalação "Floating Flower Garden" , ou Jardim Flutuante, vinda de Tóquio.

Uma sala branca e fechada, na qual, por meio de centenas de cabos de aço, que subiam e desciam lentamente do teto, orquídeas envolviam os visitantes, com o objetivo de estimulá-los a restaurar seu senso de unidade com a natureza. Como, aliás, recomendava o sacerdote zen da fábula que inspirou o grupo. 

“Imerso em meio às flores, o visitante tem a oportunidade de se tornar um com o jardim”, sugeria Inoko, visivelmente satisfeito com a repercussão do trabalho fora do Japão. “Essa é outra qualidade indiscutível das flores: elas falam uma língua universal.” 

Um objeto de porcelana que sugere uma forma vagamente humana, com sua cintura envolvida por um cinto de couro. Assim é Alba, peça desenhada pela sueca Anna Kraitz, para a Design House Stockholm, que, na sua essencialidade, sintetizava bem a generosa safra de vasos apresentada pela feira francesa, que, mais do que reverenciar formatos, parecia preferir focar em conteúdos.

“Uma simples flor é suficiente para transformar um objeto banal em algo pessoal e único”, resumiu Anna, compartilhando suas convicções com outro dos designers da marca, Magnus Löfgren, autor de Focus: vaso de cristal igualmente simples, mas que, graças ao engenhoso recorte de sua tampa, pode acomodar de uma só flor a um buquê inteiro. 

Além dos vasos, objetos concebidos especificamente para conter flores, também entre os móveis os motivos florais surgiram em profusão. Como na Bazartherapy, grife capitaneada pela designer Nathalie Lété, famosa por seus móveis com motivos geométricos, mas que, desta feita, resolveu se perder em meio a canteiros de rosas, anêmonas e amores-perfeitos.

Sua nova coleção de mesas componíveis, de colorido vibrante, com diferentes alturas e tampos irregulares, reproduzindo variedades de flores era alvo de todas as atenções. Principalmente dos compradores. “São três tamanhos e seis cores. É para cada um compor o seu buquê como quiser”, sugeria a designer.