Miniescala

STEVEN KURUTZ - O Estado de S.Paulo

Crise faz americanos morarem em imóveis de até 7,8 m2

Quando tinha 20 e poucos anos, Michael Janzen fazia cerâmica e morava em uma cabana de madeira. Depois de casar, começou a trabalhar com webdesign e, agora, aos 40, mora em uma casa com design moderno de 167 m², em Fair Oaks, na Califórnia. Mas, ao concluir que não quer trabalhar demais para poder pagar o empréstimo e assim morar nesse imóvel, juntou-se ao movimento da casa pequena - sozinho, construiu, sobre um trailer, a casinha de madeira de 7,4 m².

O que o levou a tomar essa decisão foi o fato de o valor de sua propriedade despencar, com o restante do mercado de imóveis, enquanto o tempo e o dinheiro necessários para mantê-la não param de crescer. Para os partidários do movimento, é preciso minimizar o que se gasta e produz, morando em espaços menores que 93 m² e, em alguns casos, até mesmo inferiores a 9,3 m². "Com o aumento do custo da energia e a crise, as pessoas querem esse tipo de moradia porque custa menos para comprar, manter e aquecer", acredita Gregory Paul Johnson, fundador da empresa Small House Society, de Iowa City.

Rebocando a casa

Em julho passado, Johnson, que mora em uma casa de 43 m², e Jay Shafer, criador de outra empresa do setor, a Tumbleweed Tiny House Company, foram de Victoria, no Canadá, a San Diego, rebocando a casa de Shafer em um trailer. Pelo caminho, pararam para fazer oficinas. As casas que eles fabricam têm de 6,5 a 74 m² e custam de US$ 20 mil a US$ 90 mil.

Michael Janzen não tem intenção de obrigar a mulher e a filha pequena a morarem em 7,4 m² - planeja usar a estrutura como escritório ou para pernoitar na fazenda de parentes. Mas considera um "exercício intelectual desenvolver a ideia de habitação no extremo oposto, em termos de dimensões". Para ele, isso ajudará sua família a escolher um tamanho razoável, quando se mudar para um imóvel menor.

Enquanto a casinha é um hobby para Janzen, outros já adotaram o conceito para morar. Tara Flannery, universitária de 25 anos, planeja mudar da casa de dois andares que divide com colegas para um projeto da Tumbleweed. "Queria comprar meu cantinho aos 30, mas, do jeito que o mercado da habitação está caminhando, isso não deverá acontecer", diz. Sua casinha terá 30 m² e custará US$ 40 mil.

É o mesmo estilo de vida despojado adotado por Dee Williams, de 45 anos, inspetora de lixo tóxico, que mora em Washington. Há quatro anos ela vendeu seu bangalô de 140 m² no Oregon e resolveu morar em uma casa de 7,8 m² de pinho, que ela mesma construiu gastando em torno de US$ 10 mil - e estacionou no quintal de uma amiga. Ali ela mora sem pagar nada.

Shafer espera ser um incentivo para as pessoas aderirem a espaços menores. A família de Michael Janzen pretende fazer o mesmo assim que puder vender a casa atual sem prejuízo. O casal quer voltar para o condado de Mendocino, no norte da Califórnia, onde, no início da vida conjugal, morava numa casa de 42 m².