Meu olhar

Kiko Sobrino - O Estado de S.Paulo

A exposição "Mayas: revelação de um tempo sem fim", segundo o artista plástico Kiko Sobrino

Fragmento de arquitetura Maya, em pedra calcárea, apresentada em mostra na Oca

Fragmento de arquitetura Maya, em pedra calcárea, apresentada em mostra na Oca Foto: divulgação

Era grande o alvoroço na entrada da exposição, o que fez com que minha expectativa – que já era grande – só aumentasse. Por um momento, me senti um privilegiado por estar tão próximo a um acervo referencial na história da humanidade e, o que é melhor, sem ter de sair de São Paulo. E sem pagar nada.

A montagem de “Mayas: revelação de um tempo sem fim”foi um aspecto que desde o primeiro momento despertou minha atenção. Eu diria que a qualidade dessa mostra vai além de seu conteúdo. A iluminação, a forma como as informações são veiculadas, os acabamentos, as cores, a organização, as novas tecnologias. Tudo colabora para uma situação de rara interatividade com o público. 

Outro ponto digno de nota é que a arquitetura de Oscar Niemeyer se integrou perfeitamente ao esquema de mostra. A começar pelos gigantescos painéis aplicados diretamente sobre os pilares do subsolo da Oca, cada um deles apresentando um dos temas abordados pelo roteiro: O homem frente à natureza, comunidade e vida cotidiana; O coração das cidades; O homem à frente do tempo e dos astros; As elites governantes e sua historiografia; As forças sagradas; O homem e os deuses: os rituais; e o Entrar no caminho: ritos funerários.

Apresentada em formato digital, uma linha do tempo possibilita um envolvimento ainda maior do visitantes com o tema proposto. Mais à frente, uma grande estrutura foi montada para abrigar as maquetes dos templos Mayas, magnificamente ilustrados por projeções em 3D que explicitam sua construção e importância para sua civilização.

De importância capital, a iluminação enfatiza e abrilhanta os elementos expostos – artefatos, fragmentos arquitetônicos e esculturas de pedra calcária dispostos sob cúpulas de vidro –, o que, além de dirigir o olhar, ajuda a reforçar a atmosfera intimista da ambientação.

Bem apresentada e bastante explicativa, a montagem ampliou meus conhecimentos sobre uma civilização de cultura dinâmica, que tinha uma relação muito especial com a natureza e o cosmos. Além disso, é de causar espanto o fato de nenhum dos objetos apresentados ter sido produzido com a intenção de ser um objeto de arte – apesar de todo o seu refinamento estético. Saí de lá inspirado, e seguramente mais informado sobre um povo que no meu entender contribuiu enormemente para a nossa formação artística e cultural. Não deixe de ver!

Fragmentos de arquitetura Maya, em pedra calcárea, apresentada em mostra na Oca

Fragmentos de arquitetura Maya, em pedra calcárea, apresentada em mostra na Oca Foto: divulgação

Exposição: Mayas: revelação de um tempo sem fim

Data e horário: de terça a domingo, das 9h às 17h, até 24/08, na Oca Ibirapuera