Meu olhar

Fernanda Marques - O Estado de S.Paulo

A feira Art Basel, segundo a arquiteta Fernanda Marques

Fachada do prédio onde foi realizada a Art Basel

Fachada do prédio onde foi realizada a Art Basel Foto: Divulgação

Em sua 45.ª edição, a Art Basel, realizada na cidade de mesmo nome da Suíça, entre os dias 19 e 22 de junho, se afirma hoje como o grande motor da indústria mundial da arte. É o local para se comprar arte, para ver e ser visto, e onde colecionadores de importantes museus do mundo marcam presença. Mas não apenas: com 285 galerias de 34 países, é a única feira na qual os diretores das grandes instituições comparecem em peso para que, ao lado de seus curadores, as decisões possam ser tomadas de forma mais ágil e precisa.

Confiantes na maré positiva do mercado – e na esteira das vendas alcançadas nas casas de leilão Sotheby’s e Christie’s, em Nova York, que no último mês atingiram a estratosférica cifra de U$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 4,8 bilhões) –, as galerias apostaram alto e acertaram em cheio. Embora não tão afluente quanto na edição da feira em Miami, que acontece em dezembro, a presença de galeristas brasileiros também se fez notar. A Galeria Luisa Strina comercializou todos os Pedro Reyes que levou e obras de Adriana Varejão chegaram a ser vendidas por U$ 250 mil (R$ 551 mil).

Os dias reservados ao público VIP mostraram galerias repletas de visitantes e galeristas bem-humorados – o que não é nada usual – e dispostos a partilhar todo e qualquer tipo de informação. Até aquelas consideradas não tão adequadas (nos corredores, o que mais se ouviam eram reclamações sobre as possíveis pré-vendas, com obras compradas antes mesmo da abertura das portas da feira).

Dignas de nota, as diversas performances realizadas foram um dos pontos altos desta edição, bem como a inauguração de uma área especial denominada Unlimited, onde instalações e grandes obras evidenciaram a importância crescente de uma figura bem conhecida de todos: a do curador. Atual prima dona do mercado, a quem cabe movimentar todos os eixos da engrenagem. Afinal, a ele cabe decidir onde e quando determinada obra deve ser vista pelo público. E, em última análise, adquirida.

A Design Miami Basel tirou proveito do monumental pavilhão desenhado pelos suíços Herzog & de Meuron para inaugurar a Design At Large – uma mostra dedicada a obras de grande porte, não comumente vistas em galerias por suas dimensões.

Assim, a seleção de trabalhos na confluência da arte e do design (assinados por nomes como Jean Benjamin Maneval, Sheila Hicks e Anton Alvarez) e conduzida pelo curador Dennis Freedman, também diretor criativo da loja de departamentos Barney’s, dos Estados Unidos, pode ser mais bem captada por seus visitantes. Um público ainda incipiente, se comparado aos interessados no segmento arte, mas ainda assim em franco crescimento e altamente interessado.

Indo direto aos números, a grande venda da edição: um autorretrato de Andy Warhol, Fright Wig, vendido por U$ 32 milhões (R$ 70 milhões)pela galeria Skarstedt para um colecionador de Nova York.

Autorretrato de Andy Warhol vendido por US$ 32 milhões

Autorretrato de Andy Warhol vendido por US$ 32 milhões Foto: Divulgação

Outras grandes obras também bateram cotações. O golfinho inflável de Jeff Koons saiu por U$ 5 milhões (R$ 11 milhões) e um Sigmar Polke, por U$ 4,5 milhões (R$ 9,9 milhões). Curioso notar que trabalhos como esses, que carregam na sua essência o objetivo claro de criticar como a própria arte é comercializada, sejam hoje acessíveis apenas aos muito ricos ou às grandes instituições. Para a surpresa – ou não – de Mr. Warhol e sua legião de seguidores.

Golfinho de Jeff Koons vendido por US$ 5 milhões

Golfinho de Jeff Koons vendido por US$ 5 milhões Foto: Divulgação

A arquiteta Fernanda Marques é membro do comitê para a América Latina da britânica Tate Gallery.

Veja mais informações sobre a Art Basel: www.artbasel.com