Meu Olhar

Alê Jordão - O Estado de S.Paulo

A exposição 'Oscar Niemeyer: clássicos e inéditos', segundo o artista plástico e designer Alê Jordão

Maquete da exposição Oscar Niemeyer

Maquete da exposição Oscar Niemeyer Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Não é bom, não é ótimo. É espetacular. São 3 andares de pura inspiração para nós, pobres mortais. Mas quem disse que ser underground também não é cool? E a exposição me despertou particularmente para esse aspecto. Curiosidade: Oscar treinou jiu-jítsu com a família Grace!

Para não ficar só no gênio – e também falar no rebel – vale imaginar a dupla dinâmica, Batman e Robin “as” Oscar Niemeyer e Le Corbusier, que em 1947 viajaram no projeto da a sede da ONU em NYC, concebendo uma bobina de 12,5m de croquis despretensiosos, irreverentes, ousados.

A arquitetura de Niemeyer sempre jogou com formas orgânicas e grandes espaços vazios. Mas nunca deu o lance final. A imaginação de quem as presencie que as complete. Em 1965, ele conseguiu a façanha de dar glamour ate à sede do sisudo partido comunista francês!

Brasília é, talvez, sua mais radical subversão. Pena que a própria hoje não faça jus a seu talento. Revê-la em detalhes, quase ao microscópio, me levou a muitos lugares. Vi o Congresso Nacional se transformar em pufes e luminárias. Suas rampas como palco de minhas sessões de skate no Memorial da América Latina e no Ibirapuera.

Você pode imaginar que a cidade do futuro foi projetada a partir de papel manteiga? Construída a jato em 4 anos, enquanto os estádios da copa mal ficaram prontos em 7!

A vida é mesmo um sopro. Muito bem apresentada, a carreira do mestre pode ser conferida de 1936 a 2011, inclusive com algumas obras nunca realizadas, ou mesmo divulgadas, como a da residência de Oswald de Andrade, que me inspirou inclusive a fazer um croqui, no qual ouso fazer dela um grande parque.

Um dos depoimentos que mais me chamaram a atenção foi o de Chico Buarque, quando ele afirma que “a música de Tom na minha cabeça é a casa do Niemeyer no Joá”. Contornar tudo, envolver tudo, recriar o espaço e deixar o homem e a cidade respirarem, isso é Niemeyer! Para sempre, Oscar Niemeyer. 

Desenho da exposição Oscar Niemeyer

Desenho da exposição Oscar Niemeyer Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A exposição Oscar Niemeyer: clássicos e inéditos fica aberta até 27 de julho, no Itaú Cultural, em São Paulo.