Mãos à obra

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

À medida que o isolamento prossegue, mais pessoas parecem estar dispostas a arregaçar as mangas e promover mudanças em suas casas. Mas confessam que não têm a mais remota ideia de como começar

Organizar um caderno de referências pode ajudar na hora de decorar

Organizar um caderno de referências pode ajudar na hora de decorar Foto: Moooi

Nos últimos meses, um tipo de questão tem circulado com cada vez mais frequência nas minhas redes sociais. Não que ela não ocorresse antes, mas agora parece ter ganhado um sentido de urgência até então inédito. Ao que tudo indica, à medida que a quarentena se prolonga, mais pessoas parecem estar dispostas a arregaçar as mangas e promover mudanças em suas casas. Mas confessam que não têm a mais remota ideia de como começar. 

Trata-se de um desejo difuso, nem sempre fácil de definir. Uns pretendem apenas imprimir um clima à sala. Outros, dar uma cara a seus quartos. E há ainda aqueles mais ambiciosos que querem transformar suas cozinhas em verdadeiras áreas de estar. Algo, segundo eles, muito mais complexo do que instalar um home office para maratonar séries no fim de semana. 

A princípio, começo por admitir que de fato é. Sair do lugar-comum e viver a casa de maneira mais autêntica e satisfatória é uma condição que demanda um certo esforço para ser alcançada. Mas, por outro lado, é algo bem menos inatingível do que se imagina. Depois – e aí vem a segunda boa notícia – isso tem menos a ver com recursos ilimitados e, sim, com autoconhecimento. 

Para espanto de muitos, a primeira coisa que sugiro aos que dizem não saber por onde começar é justamente listar tudo aquilo que não querem, de jeito nenhum, ver presente em dado ambiente. Refiro-me a cores, texturas e materiais. Mas também a móveis, acessórios e até condições de iluminação. 

Faço isso porque, com o tempo, percebi que muitas pessoas não sabem explicitar o que querem. Mas têm uma noção bem clara do que não gostam e, dessa forma, a lista de prioridades acaba surgindo em decorrência. 

Consultar revistas especializadas e vasculhar os bancos de imagens na internet para montar um caderno de referências podem ser um bom começo. Desde, claro, que elas sejam tomadas pelo que são: referências. Juntar coisas significativas pode ajudar a construir um painel do que se quer. Lembre-se apenas de que os ambientes não devem conter apenas as coisas que você gosta, mas também aquelas das quais precisa para tornar seu cotidiano mais reconfortante. Quando voltar do trabalho, por exemplo. 

Nesse sentido, considerar o espaço disponível é essencial. Antes de planejar qualquer compra ou serviço, tenha em mãos medidas precisas. E, muito importante, fique atento a seu orçamento. Em se tratando de decoração, algumas escolhas, sobretudo aquelas relacionadas a pisos e móveis de maior porte, tendem a ser definitivas. E, portanto, muitas vezes, o melhor a fazer é esperar. 

Por fim, esqueça transformações da noite para o dia. Criar uma casa em sintonia com sua personalidade leva tempo. Mas, ainda assim, o período de confinamento pode ser um ótimo pretexto para começar.