Mão na massa

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Contato direto com materiais inspira produção do Cultivado em Casa

Diego Garavinni, Mikael Dutra e Bárbara Meirelles, do Cultivado em Casa

Diego Garavinni, Mikael Dutra e Bárbara Meirelles, do Cultivado em Casa Foto: Divulgação

O trio de mineiros do Cultivado em Casa, estúdio fundado em 2013, já criou muito se valendo das formas, texturas e cores de objetos inusitados.  Mangueira virou cadeira, bucha vegetal deu forma a um armário com pés de latão.  Mas, engane-se quem pensa que Bárbara Meirelles, Diego Garavinni e Mikael Dutra se limitam a dizer que o reaproveitamento de materiais é o objetivo imediato da marca que criaram logo após saírem da faculdade.  "Mais do que subverter os objetos, a nossa preocupação maior é com a estética.  Quando fizemos a cadeira Super Jardim, usamos 200 metros de uma mangueira que tem um azul único, foi isso o que nos chamou a atenção", diz Bárbara.

Em seu processo de criação, o trio de Belo Horizonte gosta mesmo de colocar a mão na massa, e nem sempre o projeto começa no papel."Nós não somos muito bons de desenho, por isso a gente gosta de passar boa parte do tempo fazendo protótipos, testando, mudando o que for necessário, até que a peça final surja", conta a designer.  Foi assim que nasceu a criação mais nova do estúdio.  Apresentado na última edição da feira Made, em novembro, o armário Bucha Soberana foi pensado para ter a forma das antigas cristaleiras mineiras.  "Usamos dois materiais que, para mim, são únicos.  A bucha e o latão se complementam, um nunca vai ter a mesma textura do outro.  A beleza da peça está no equilíbrio e no contraponto que esses dois materiais trazem".

Para o ano que vem, o Cultivado em Casa espera se aventurar em objetos mais acessíveis ao público, peças menores e mais baratas.  "Não temos o objetivo de chegar até a indústria, nossa marca é feita de coisas que saem das nossas mãos, que levam tempo para serem feitas.  Mas sentimos a vontade de fazer algo mais acessível para que,  quem se identifica com a nossa maneira de pensar tenha a oportunidade de levar para casa um pouco da nossa identidade", explica Bárbara.

Por enquanto, as peças são feitas sob encomenda, sempre de tarde até a noite, com pausa apenas para o café ou enquanto brincam com o cachorro da casa.