Luzes da cidade

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Peças de néon chamam atenção de decoradores e arquitetos e saem das fachadas de bares e baladas para fazer parte da decoração de casa

Peça de néon da 3 Estações

Peça de néon da 3 Estações Foto: Zeca Wittner/Estadão

Em 1986, quando os irmãos Edvar e Eduardo Ferreira da Silva assumiram o negócio do tio, a Neon 3 Estações, na região da Rua Santa Efigênia, no centro de São Paulo, os esforços para aprender o ofício de vidreiro se concentravam em produzir néons que iam para fachadas de prédios comerciais. A técnica foi aprimorada com o tempo, depois de muitos choques e alguns dedos queimados. 

“O começo é complicado, parece que não vai dar certo. Mas o resultado é sempre muito encantador e isso fez nosso esforço valer a pena. Meu tio dizia que ia colocar a luz em nossas mãos”, conta Edvar. Entre os preferidos do vidreiro, brilha na cidade de São Paulo o luminoso antigo da lanchonete Chip’s Burger, na Rua Dr. César, e os coqueiros do Riviera Bar, na Rua da Consolação. Perfeccionista, ele gosta de ficar de olho no lugar onde foram instaladas para ver se suas criações estão bem conservadas. “É como fazer arte. Sei que deu certo quando eu acendo a luz e a pessoa sorri”, conta.

O processo de produção das peças começa sempre a partir da solicitação do cliente. Letras muito pequenas são as mais difíceis de executar; desenhos muito grandes, os mais demorados – mas não costumam levar mais que uma semana para ficar prontos. “Tudo começa no papel. Olhando as formas, a gente molda o vidro quente. Isso feito, chega o momento de colocar a parte elétrica e encher com gás argônio ou neônio, que é o que confere cor para a luz”, explica Eduardo.

Hoje, além de fazer letreiros para fachadas de restaurantes e baladas, os irmãos trabalham com encomendas feitas por arquitetos e artistas plásticos, que, aliás, não param de crescer. “Tudo começou quando o arquiteto Marcelo Rosenbaum me pediu um néon em forma de disco voador para decorar o interior de uma loja do estilista Marcelo Sommer. Hoje, grande parte da nossa produção é dedicada para a decoração de interiores.” 

Aficionado pela técnica, o arquiteto Guilherme Torres guarda em sua casa uma criação que saiu da 3 Estações. “Adoro o efeito e a intensidade da cor dos néons. Um dos que tenho, que ilumina o corredor da minha casa, é em forma de coração e fica sobre uma obra da artista plástica Pink Wainer”, diz Torres. 

Para quem quer ter um em casa, o arquiteto recomenda dosar bem a intensidade da luz. “Se a ideia for dar maior dramaticidade ao espaço, vale a pena usar somente a peça de néon. Senão, procure trabalhar também com outras fontes de luz dispostas pelo ambiente. Mas sempre um pouco distantes, para não concorrer diretamente com a obra.”

Para o designer de interiores Marcos Dias Reis, a diferença entre um letreiro comercial e um residencial está na forma de dispô-lo no ambiente. “Em casa dá para montar cenas bem criativas. O importante é usar esse recurso em pontos estratégicos. Uma dica é utilizá-lo em cima de uma cabeceira ou na sala de jantar, ambiente que costuma ser o coração da casa.”