Lofts e estúdios confirmam tendência de plantas menos convencionais

João Abel* - O Estado de S. Paulo

Seja em imóveis compactos ou mais espaçosos, integração de espaços contribuiu para criar conceitos mais afetivos na Casacor 2018

Caleidoscoop é uma parceria de Maicon Antoniolli com a Coral. Como desafio, não contar com nenhuma superfície branca em todo o interior do loft

Caleidoscoop é uma parceria de Maicon Antoniolli com a Coral. Como desafio, não contar com nenhuma superfície branca em todo o interior do loft Foto: Zeca Wittner/Estadão

Sala, quarto, cozinha, varanda. Tudo junto e misturado. Respeitando, é claro, o mínimo de privacidade que cada morador considerar necessário. Em sintonia com o mercado, os lofts e estúdios apresentados na Casacor 2018 são uma confirmação de que imóveis com plantas menos segmentadas vieram para ficar. Até porque eles têm tudo a ver com o estilo de vida funcional e dinâmico dos moradores urbanos.

Segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), em 2017, apartamentos com menos de 45 m² já representavam 43% dos lançamentos na capital paulista. “Eliminar paredes não é só uma tendência. É quase uma regra no caso de imóveis pequenos. Foi a partir desta perspectiva que imaginei meu espaço”, afirma a arquiteta Érica Salguero, que projetou o Estúdio do Executivo, lançando mão de um único painel para funcionar como divisória entre o quarto e a área de convivência, com living e cozinha.

Apesar das limitações, são nos imóveis com plantas compactas que alguns arquitetos parecem ter maior liberdade para desenvolver projetos adaptados às mais diferentes personalidades. Como acontece, por exemplo, no Estúdio Trama, que leva a a assinatura de Melina Romano. “Queremos mostrar que a base da decoração são as conexões entre a vivência de cada morador. Não as dimensões do imóvel”, detalha a arquiteta.

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Contar uma história rica e, acima de tudo, vivenciar a casa enquanto espaço de experiências sentimentais foi a proposta do Loft Ninho, do baiano Nildo José, que aliou questões técnicas, como a marcenaria do teto ao piso, com a motivação conceitual de expor o lar como um ambiente de regeneração e refúgio em momentos difíceis. “Me interessa explorar uma arquitetura mais afetiva e rica de significados. Integrar os espaços é quase uma condição para que isso aconteça”, diz.Estreante no evento, o arquiteto Marcelo Salum resolveu ‘reverenciar’ São Paulo em seu loft, seja espalhando bordados com letras de músicas de Caetano Veloso e Chico Buarque pela casa, seja investindo em uma paleta de cores binária, que contribui para dar uma conformação mais uniforme a todo espaço. “Procurei realçar o pé-direito alto, aplicando o cinza na parte de baixo das paredes. Acima dos dois metros de altura, usamos apenas o verde”, afirma. “É o contraste de cores característico da metrópole que sedia a Casacor e acolhe tão bem arquitetos das mais diversas regiões.”

*Estagiário sob supervisão do editor de suplementos Daniel Fernandes

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